Bélgica – Num percurso que já passou por 12 representações em Portugal e uma etapa no Luxemburgo, a exposição das confrarias gastronómicas portuguesas chegou à Bélgica, tendo como palco a Associação Emaus.
O evento levou uma mensagem poderosa sobre a riqueza e a diversidade cultural do país, reforçando o papel destas organizações como verdadeiras embaixadoras da cultura portuguesa no mundo.
"Para nós é uma representação, é como se estivesse no mundo inteiro, porque conseguimos mostrar que as confrarias afinal existem e que fazem um trabalho espetacular", explicou Isabel Ferreira. A exposição foi além da gastronomia, destacando a importância dos trajes, dos quadros e das fotografias que contam a história de cada região. "Não são só as pessoas que comem e as que estão lá, mas é a forma e o formato que elas têm, a forma como elas conseguem tocar cada um", sublinhou.
O impacto emocional da iniciativa foi particularmente forte para os emigrantes presentes na Associação Emaus. "Se calhar, se tiver aqui uma pessoa de Fafe e vê o traje que representa a sua terra, a emoção é completamente diferente. E vê na fotografia o que se come na sua terra. E isto é que é verdadeiramente ser embaixador", referiu Isabel Ferreira, destacando como o evento permite redescobrir as raízes num espaço de convívio comunitário.
A riqueza da diversidade portuguesa
Um dos pontos altos da reflexão foi a descoberta da imensa variedade cultural dentro de um país de dimensões reduzidas. "Eu tive um choque este ano, vi Barcelos e vi Fafe, e quando eu vejo que são quase culturas diferentes, maneiras de se estar diferentes, paisagens diferentes, e estamos ali um ao lado do outro", confessou. "Portugal é exatamente esta riqueza. É que podemos estar perto e ver coisas completamente diferentes, comermos completamente diferentes".
Esta diversidade, segundo os organizadores reunidos na Emaus, é um trunfo único. "Desafio qualquer país da Europa a vir cá dizer se é melhor que nós. Ainda não houve ninguém que tivesse aceitado este desafio", afirmou com orgulho, Isabel Ferreira. Parte do fenómeno parte da própria estrutura familiar e social portuguesa: "O marido se calhar é de uma região, a esposa é de outra, e conhecem familiares que também são de outra. As pessoas ficam completamente baralhadas... Afinal, isso é tudo Portugal".
Preservar a memória e a identidade
O evento incluiu também uma forte mensagem sobre a preservação da identidade para as gerações mais jovens. "As vossas origens, mesmo que não seja de forma direta para os mais jovens, de forma indireta, mas preservem aquilo que um dia foi nosso e que deu tanto trabalho e deu tanta guerra, tantas mortes", apelou o orador, lembrando que Portugal é "um país com paz" que conseguiu evitar conflitos mundiais.
Como símbolo desta missão, foram distribuídos sacos alusivos ao mapa de Portugal, com a frase "quem cozinha com amor engorda com orgulho". "O mapa de Portugal estará sempre presente. Essa coisa de nos confundirem com uma região ibérica acabou, nós não vamos deixar", garantiu, numa clara afirmação de identidade feita no coração da comunidade na Bélgica. "Vou oferecer o saco para ficar aqui na casa, para que a memória vos recorde, Portugal geograficamente é assim".
A mensagem final ficou clara para todos os associados da Emaus e visitantes: "Nós, essencialmente, como portugueses e cá fora, somos todos embaixadores". Cabe a cada um preservar e promover esta cultura única, que faz de Portugal um país "pequenino" no mapa, mas gigante na sua capacidade de estar, ser e receber.
Fotos disponibilizadas por Mendes Mendes

























