Os dois fortes sismos que atingiram recentemente a Venezuela provocaram prejuízos económicos superiores a 10 mil milhões de dólares, cerca de 8,5 mil milhões de euros, segundo uma primeira avaliação divulgada pela Câmara Venezuelana Portuguesa de Comércio, Indústria, Turismo e Atividades Afins (CAVENPORT VE).
A entidade alerta que a dimensão dos danos “representa um dos maiores desafios económicos enfrentados pelo país nos últimos anos”, num contexto de elevada vulnerabilidade financeira.
De acordo com essa entidade, os maiores prejuízos concentram-se na “destruição de habitações, edifícios comerciais, estradas, autoestradas e infraestruturas de abastecimento de água e eletricidade”. Os danos “comprometeram a circulação de pessoas e mercadorias, afetando a logística interna e o funcionamento de diversas regiões, sobretudo nas áreas mais atingidas pelos sismos”.
A indústria petrolífera, principal fonte de receitas externas da Venezuela, também sofreu impactos relevantes, na visão da CAVENPORT VE, que sublinha que “as dificuldades nas operações logísticas e na infraestrutura de apoio reduziram a capacidade de exportação de petróleo e agravaram os constrangimentos no setor energético, já pressionado por interrupções no fornecimento de eletricidade em várias zonas do país”.
O setor privado enfrenta igualmente dificuldades operacionais. A Câmara Venezuelana Portuguesa de Comércio refere ainda que empresas de telecomunicações e instituições financeiras ativaram planos de contingência para garantir a continuidade dos serviços essenciais, enquanto diversas superfícies comerciais suspenderam temporariamente a atividade por razões de segurança. No turismo, várias unidades hoteleiras registaram danos e algumas passaram a apoiar as operações de resposta humanitária.
Os responsáveis pela CAVENPORT VE referem que “os prejuízos surgem num momento em que a economia venezuelana enfrenta elevados níveis de endividamento, limitando a capacidade financeira do Estado para responder à emergência e financiar a reconstrução”. A entidade considera que o país poderá necessitar de um “reforço da cooperação internacional e de novos mecanismos de financiamento para recuperar as infraestruturas afetadas e restabelecer a atividade económica”.
De acordo com a avaliação dessa Câmara Venezuelana Portuguesa de Comércio, os sismos não criaram novos problemas estruturais, mas “evidenciaram fragilidades existentes na manutenção das infraestruturas públicas e na capacidade de resposta do país a desastres de grande dimensão, aumentando os desafios para a recuperação económica e social da Venezuela”.










