Parceiros

(Tempo de leitura: 1 - 2 minutos)


Os documentos tornados públicos do caso Epstein revelam muito mais do que a mente perversa e criminosa de um predador sexual. Expõem também como funcionam as relações humanas quando o poder é imenso, concentrado e... protegido.

Instala-se então a convicção de se estar acima dos outros, alimentada por uma lógica transacional: favores que se pedem e se fazem, silêncios que se compram, portas que se abrem graças a uma vasta rede de contactos. Não se trata de uma conspiração, mas de um modo de funcionamento.

Os ficheiros mencionam nomes de grandes empresários, multimilionários, membros da realeza europeia, intelectuais, artistas, filantropos e responsáveis políticos de esquerda e de direita, à escala global. Não constitui prova de crime, mas dá a amplitude social e política do círculo em que Epstein se movia.

Durante a campanha eleitoral, Donald Trump explorou politicamente o caso, prometendo transparência total. Já na presidência, travou o processo de divulgação até que a pressão política e judicial levou à sua publicação. Ainda assim, permanece a dúvida sobre o que continua sob reserva, seja por razões legais, processuais ou de proteção de terceiros.

Sabe-se, no entanto, muito pouco sobre o essencial: o destino das vítimas. Há um foco intenso nos nomes dos poderosos, na sua reputação, nos seus silêncios, nas suas estratégias de distanciamento, mas pouco se sabe sobre as jovens adolescentes abusadas. Em nome da sua proteção, diz a justiça americana. Mas essa mesma justiça, que conhece os seus rostos e os seus nomes, que sabe o que lhes foi feito, pouco ou nada diz sobre a forma como essas vítimas estão a ser ouvidas hoje, ou sobre os caminho de responsabilização dos agressores, que não apenas Epstein.

Esta náusea moral surge quando vêm à tona relatos como estes, de elites que, protegidas pela riqueza e pela proximidade ao poder político, se permitem transgressões extremas, convencidas de que os seus vícios privados jamais poderão eclipsar as suas virtudes públicas. O resultado é sempre o mesmo: desconfiança, teorias da conspiração, a perceção de que há um direito ao resguardo reservado a alguns e negado à maioria.


 



 

A nossa missão

Temos em linha

Temos 33432 visitantes e 1 membro em linha

We use cookies
Usamos cookies no nosso site. Alguns deles são essenciais para o funcionamento do site, enquanto outros nos ajudam a melhorar a experiência do utilizador (cookies de rastreamento). Você pode decidir se permite os cookies ou não. Tenha em atenção que, se os rejeitar, poderá não conseguir utilizar todas as funcionalidades do site.