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quarta-feira, 27 outubro 2021

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Casa pode ser uma pessoa



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Um amigo com perguntas muito certeiras questionou-me sobre o significado de casa. Disse-me para responder por escrito e que era “apenas” um exercício. Fiquei à deriva, a navegar pelo mar agitado da dúvida. Não lhe respondi logo. Tenho vindo a aprender, através do mergulho olímpico na minha espiritualidade, que tudo tem o seu tempo. E que está tudo bem em primeiro deixar o silêncio tomar conta de nós até então termos uma resposta que nos pareça adequada ao comprimento de onda da pergunta.

Respondi-lhe que casa é o abrigo. É onde tiramos as máscaras e o fardamento da guerra. É onde ficamos nus, sem as armas. Pode ser um local ou uma pessoa. Passado algum tempo volto a esta frase: casa pode ser um local ou uma pessoa. Comecei a pensar nas minhas pessoas-casas. Tenho a sorte de ter algumas. A começar pelos meus pais e pelos meus amigos mais antigos. Mesmo apesar da distância e das circunstâncias da vida, nunca esqueço o caminho para essas casas. E se por momentos me perder, dessas casas-amigos, tenho sempre o cuidado de deixar um rasto para que possa depois seguir e tentar voltar a encontrar de novo e de novo essa morada.

Em relação aos meus amigos de longa data, nunca tive a coragem de vender essas casas. Vou deixando-as lá, sabendo que estão a precisar de obras, de atenção e de amor. Por isso de vez em quando gosto de lá voltar, de pintar umas paredes, cuidar do jardim e assim vou mantendo essas casas vivas. E o mesmo fazem comigo aqueles amigos a quem sou uma casa. Não estando fisicamente presente com a maioria deles, pois estamos todos em caminhos longínquos, difusos, cada um a passar o seu tumulto, eis que surge um deles para uma pequena manutenção. Por mais insignificante que pareça, a verdade é que a casa fica sempre diferente, mais enraizada, com mais energia. 

Fico a pensar nas casas que ganhei neste último ano a viver na Madeira. Foram poucas. Parece que o mercado imobiliário está inflacionado. Ainda assim, as poucas que ganhei, as minhas casas-pessoas, têm todas grandes vistas, com varandas amplas, em que entra luz natural todo o dia. Quando tiro um tempinho para admirar a paisagem, chego a perder-me tamanha é a sua beleza. Chego à conclusão de que, apesar de tudo, fiz grandes negócios no mercado imobiliário da amizade na Madeira. Fico feliz por ter aqui na ilha estas casinhas, humildes, verdadeiras, que se vão construindo aos poucos, algumas delas em terrenos ao abandono, em zonas pouco comuns, em que foi, de início, difícil de prever a autorização da sua construção. São essas, as minhas pessoas-casas, que me fazem pensar que por vezes o peso da insularidade me mata, mas outras vezes fazem com que renasça.

Luso.eu - Jornal das comunidades
Cláudia Caires Sousa
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