quarta-feira, 31 maio 2023

Vinho português à conqu…

maio 30, 2023 Hits:762 Opinião

Esta Raça de Ser Portist…

maio 29, 2023 Hits:520 Opinião

Conceitos Marcelistas

maio 25, 2023 Hits:158 Opinião

As correrias da Bia ou a …

maio 24, 2023 Hits:1578 Crónicas

Sou Galamba

maio 24, 2023 Hits:1085 Opinião

Esta vida de marinheiro

maio 22, 2023 Hits:907 Opinião

Josué

maio 21, 2023 Hits:732 Opinião

Saudades de casa

maio 21, 2023 Hits:1170 Crónicas

Não há pastelaria como …

maio 21, 2023 Hits:1751 Crónicas

Vício vencido, a liberda…

maio 20, 2023 Hits:1325 Opinião

Brindemos com vinho verde…

maio 20, 2023 Hits:1612 Opinião

Darth Vader à Portuguesa

maio 10, 2023 Hits:740 Opinião

Mais um dia em Elvas

maio 10, 2023 Hits:1057 Apontamentos

Tomar, património e frioleiras





A sua generosidade permite a publicação diária de notícias, artigos de opinião, crónicas e informação do interesse das comunidades portuguesas.


Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor!

         Empenho de ordem médica em Coimbra só me consentia a manhã em terras do Nabão, por volta da hora do almoço teria de partir. Obrigado a fazer escolhas, optei por visitar a Igreja de Santa Maria do Olival. Se o tempo desse para mais, passaria no Museu dos Fósforos, nunca tinha visto coisa de semelhante jaez.

         A Igreja de Santa Maria do Olival foi panteão de mestres templários, lá perduram lápides dos respetivos túmulos, designadamente a da sepultura de Gualdim Pais. Na frontaria com três corpos, salta à vista o do meio, rasgado por portal de arquivoltas ogivais assentes em colunas com capitéis em mau estado de conservação. Acima do gablete que emoldura o portal, pavoneia‑se uma grande rosácea com folhas trilobadas. A estética do local mais composta fica graças à torre sineira, outrora lugar de vigia, existente defronte da igreja.

         No que toca ao interior do templo, destaco a capela‑mor e as capelas integralmente revestidas de azulejos. Naquela se encontra uma imagem de Nossa Senhora do Leite, de pedra policromada, com tanto de singelo como de bonito, e também um interessante arcossólio renascença onde se guarda a arca tumular com os restos de D. Diogo Pinheiro, o primeiro bispo do Funchal (pelo que li, nunca ele pôs os pés na Madeira).

         Segui depois para o Museu dos Fósforos, cujo acervo é composto, no essencial, pelas caixas e pelas carteiras de fósforos que Aquiles da Mota Lima reuniu e ofereceu ao município tomarense. A sua paixão pela filumenia começou quando conheceu uma colecionadora que viajava no barco que o levava ao Reino Unido para assistir à cerimónia de coroação de Isabel II.

         O recheio do museu presta‑se a boas fotos, mas a pequena volta ao mundo não me causou surpresa de monta, antes me fez pensar em figuras e lugares‑comuns que associava a certos países. Isso foi manifesto, por exemplo, na secção dedicada a Cuba, com rótulos que exibem mulheres de corpo torneado, seminuas e em poses que apelam à sensualidade, e naqueloutra respeitante à Bélgica, com embalagens que mostram ciclistas ou o Manneken Pis. Os responsáveis pela instituição devem agora contrabalançar clichês e ideias de antanho com as modernidades que vão varrendo mundo e adotando novos símbolos.

         Terminada a visita, sobrava‑me tempo. Fui à pastelaria Estrelas de Tomar entreter o estômago e acabei por distrair os ouvidos. Sentadas perto de mim, duas jovens estudantes do ensino politécnico conversavam. Substituíram sempre «muito» por «bué». Sem verdadeiro desígnio de vida, solubilizavam os estudos e buscavam apenas um emolumento imediato, a aprovação nos exames.

         Em volta de outra mesa, três professoras aposentadas, sexagenárias ou septuagenárias, deixaram‑me a ideia de uma reforma passada a dar à língua, a coscuvilhar. De vez em quando, espreitavam o Facebook, que a uma deu notícia de conhecida em férias na Turquia. A pergunta veio com entono de raiva: «Ela já lá foi há 24 anos, que foi lá fazer outra vez?» Viam muito argueiro nos olhos dos outros, mas não lobrigavam a trave que tinham nos seus olhos. Deram vários pontapés na gramática e uma delas disse que iria passar uns dias num «bengalou». Confesso que não o esperava, tanta frioleira colidiu com a ideia que tinha das mestras do tempo pretérito.

         Uma amiga das professoras entrou na confeitaria e acercou‑se do trio. No Facebook, havia visto fotografias de uma das circunstantes num casamento e elogiou a sua elegância. Com um esgar, logo aditou: «Já a mãe da noiva…»

Luso.eu - Jornal das comunidades
Paulo Pego
Author: Paulo PegoEmail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Para ver mais textos, por favor clique no nome do autor
Lista dos seus últimos textos

Adicione o seu comentário aqui!



Luso.eu | Jornal Notícias das Comunidades

luso.eu Jornal Comunidades

A nossa newsletter

Jornal das Comunidades

Não perca as promoções e novidades que reservamos para nossos fiéis assinantes.
O seu endereço de email é apenas utilizado para lhe enviar a nossa newsletter e informações sobre as nossas actividades. Você pode usar o link de cancelamento integrado em cada um de nossos e-mails a qualquer momento.

TEMOS NO SITE

Temos 462  pessoas que estão a ver esta página no momento, e 0 membros em linha

Top News Embaixada

A SUA PUBLICIDADE AQUI?

EVENTOS ESTE MÊS

Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

News Fotografia

PUBLICAÇÕES RELACIONADAS