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A piada foi fácil de fazer, mais difícil é eu compreender porque é que o Partido Socialista ainda é um sério candidato a governar. Com urgências fechadas, alunos sem aulas, justiça que demora anos, vários governantes de topo apanhados em esquemas manhosos e uma emigração ao nível dos anos sessenta salazaristas, como é que é possível ainda haver uma pessoa sequer que considere votar PS ?

Uma explicação que costuma ser avançada é que muitos dos eleitores, em particular os mais pobres e mais idosos, têm medo da mudança. Antes burro que me carregue, que cavalo que me derrube, já diz o ditado. E assim boa parte dos eleitores prefere a miséria actual, que já conhecem e sabem navegar, às águas desconhecidas de mudar de rumo. E eu compreendo, porque também tenho a minha costela de conservador.

Aqui há uns anos atrás, havia um café perto de onde eu vivia, o Le Coq. Na altura eram uns irmãos arménios que estavam a gerir o espaço. Não era nada de extraordinário, apenas um sítio acolhedor onde ir beber um copo e fazer tempo enquanto a garota estava na escola de música. E havendo larica, encomendava-se uma pizza no restaurante ao lado, para acompanhar a Maredsous. Simples e acolhedor.

A dada altura, o proprietário do espaço decide terminar o aluguer. Queria transformar o espaço, para lhe dar um ar mais moderno. Os outros bares e cafés à volta estavam-se a transformar, como aliás o resto do bairro em Ixelles, num processo de gentrificação que atraía malta jovem com outros hábitos de consumo. E os clientes de antanho, esses que fossem beber a sua Chouffe para outro lado.

Claro, os gerentes do café estavam contra porque iam perder o ganha-pão. Os clientes habituais, eu incluído, também não estavam contentes. O café funciona, tem clientela, para quê mudar? Fizeram-se baixos assinados, manifestações, foi notícia na TV. De nada valeu, no final o proprietário do espaço, a multinacional AB inBev, não quis saber e terminou o contracto. Depois fez uma obras, modernizou o espaço para ficar ao gosto da juventude dos nossos dias e alugou a outra gerência. O espaço ficou hip, ficou cool, ficou nice. Pelo menos visto do lado de fora, porque eu nunca mais pus lá os pés, em protesto contra a mudança.

Passaram uns meses, e os irmãos arménios lá abriram um novo espaço, umas portas ao lado, o bar Le Parallele. Enquanto a garota andou na mesma escola de música, continuei a ir ao Parallele. Depois, mudei de casa, mudámos de hábitos e já vai um par de anos que não vou para aqueles lados de Ixelles.

Moral da história: berrar e espernear não valeu de nada, a mudança aconteceu na mesma. E, se o processo foi algo conturbado, hoje há mais escolha de cafés, os arménios continuam a trabalhar na mesma praça e eu continuo a beber cerveja.

Voltando a Portugal, se o voto no PS é sinónimo de não querer mudar a situação, então tenho más notícias. O mundo pula e avança, indiferente às nossas vontades e desejos. E por isso, evitar a mudança é tão eficaz como tapar o sol com uma peneira. Agora, parece que uma parte considerável dos portugueses acha que votar PS é como votar no Tiririca, pior que está não fica. Lamento, mas desde há vinte anos que o país está cada vez pior. Sim, no passado fecharam-se hospitais. Mas nunca desta forma, em que é preciso saber o calendário e não ter azar de partir a perna quando a urgência está fechada. Sim, houve governantes acusados de corrupção, mas o PS é o único que consegue ter dois Primeiro-Ministros de seguida. E se isto não os convence, os números da emigração esses não enganam.

Assim, está na hora de arregaçar as mangas e aceitar que é preciso mudar. Enterrar a cabeça na areia, fingir que não é nada connosco e que acreditar que se estivermos muito quietinhos e caladinhos nada muda, é a receita para o desastre. É o que temos vindo a fazer nos últimos vinte anos, e o resultado não é famoso.

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Nelson Gonçalves
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