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Em Wurtzburgo





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         Movido por promessa feita à Jūratė, fui com ela a Wurtzburgo, cidade que prosperou em tempos medievais, teve o seu apogeu no século xvɪɪɪ e é ponto de partida da Rota Romântica, itinerário com paragens na Baviera e em Bade‑Vurtemberga. Entre os aprestos de apaixonado, um presente e uma

t‑shirt  com dito de amor.

         Iniciámos a jornada cultural na Residenz, palácio barroco de Setecentos que aos príncipes‑bispos de Wurtzburgo deveria ter servido de domicílio. Segundo a jovem que dirigiu a visita, e que gastou parte do tempo a louvar o vinho da Francónia, ele foi apenas mostruário de riqueza e poder. O fresco de Tiepolo que decora o teto abobadado da dependência onde se encontra a escada nobre inclui uma representação alegórica de quatro continentes. Intrigado e confuso diante da sobreabundância de personagens e motivos do fresco, pelo punho de Werner Helmberger e de Matthias Staschull[1] apurei que, no modo de ver ali expresso, a América era rica em recursos naturais, mas não civilizada — as pessoas viviam ao ar livre —, a África tinha atingido um estádio de desenvolvimento superior ao da América — as suas gentes dormiam em tendas e entregavam‑se ao comércio —, a Europa aparecia como potência militar, soberana do mundo, terra do cristianismo e do maior progresso, e a Ásia era o continente mais próximo da Europa em matéria de avanço cultural, conquanto a presença de cativos em quadro revelador de sujeição denunciasse lugar propício ao conflito.

         A escada nobre, digna do apego à cenografia caraterístico do Barroco, e o trabalho de Tiepolo que mencionei decerto impressionam o visitante. A sala Branca, pese embora o belo atavio de estuque, dá−lhe a possibilidade de recuperar o fôlego, que ele logo a seguir perderá na arrebatadora sala do Imperador, de plano oval. Aí sobressaem o ornato rocaille e os frescos do mesmo artista que decoram a abóbada.

          No percurso guiado, que terminou com uns passos noutras salas de aparato, andámos perto de um par de jovens, ambos com cerca de 25 anos, e apercebemo‑nos de que o rapaz não dominava o inglês, a sua acompanhante tinha de fazer tradução para o italiano. Isso fez‑me espécie, dava por adquirido o ensino proficiente da língua de Shakespeare nos países que falam a língua de Dante.

          Libertos do grupo, fomos à igreja do palácio. Em maré de amores, aguçava‑nos a curiosidade saber que é a mais procurada de Wurtzburgo para dar o nó. A igreja não desilude: outras obras do incansável Tiepolo, paredes curvas, lauto adorno que pressagia vida de fausto aos nubentes, putti que anunciam filhos.

          Em seguida, passeio de braço dado no jardim da Residenz, esplêndido de cores e de cheiros. Assim que o deixámos, ufano e porejando bons vaticínios apontei para uma placa de cor castanha que assinalava a Romantische Straße.

          O almoço, no restaurante B. Neumann, correu bem, os galanteios atingiram o auge e envolveram juras de vínculo perpétuo. Quando, para beber o café, retirei a chávena do pires, vimos, na parte deste que aquela cobria, um escrito cruel, implacável: «Nichts ist für die Ewigkeit» (nada é eterno). Senti amargo de boca e confirmei que não há bela sem senão.

[1] HELMBERGER, Werner; STASCHULL, Matthias, Tiepolo’s world. The ceiling fresco in the staircase hall of the Würzburg Residence, tradução de Sue Bollans, 2.ª edição, Munique, Bayerische Verwaltung der staatlichen Schlösser, Gärten und Seen, 2017, pp. 32, 48, 56 e 70.

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Paulo Pego
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