Provavelmente, e de acordo com processos mais evidentes, Portugal tem sido, ao longo da sua História, quase milenar, como país independente, um impulsionador de valores civilizacionais, divulgados, ainda, no século XV, por todo o mundo e, naturalmente, nos espaços territoriais que, em menos de um século, viria a ocupar, como consequência dos descobrimentos marítimos, e que naqueles deixaria marcas indeléveis, a principal delas, a língua.
De Ceuta a Timor, da Índia ao Brasil, sempre haverá alguém que ainda conhece e fala o português, mesmo que um pouco distorcido, devido a sotaques e vocábulos dos autóctones que, naturalmente, têm prevalecido e se deseja que não se percam, embora se continue a defender, como língua oficial, aquela em que Camões se imortalizou no célebre poema universal – Os Lusíadas -, que, de alguma forma, é estudado nas Comunidades dos Povos de Língua Portuguesa. Esta dimensão da língua portuguesa, será motivo para outras abordagens.
Igualmente se tem a noção de que Portugal sempre esteve integrado, no espaço que hoje se designa por velho continente, a Europa da Civilização Ocidental, das artes, da cultural, da filosofia, da ciência e que, por essa razão, não pode (nem deve) renegar o seu passado, do qual e pelo contrário, se deve orgulhar, mesmo considerando os aspetos menos bons, incluindo os mais negativos, que ao longo da sua História tem vindo a recordar e que, no presente e, inevitavelmente, no futuro, continuarão a revelar-se, o que não significa qualquer perda, negação ou subestimação dos valores do humanismo: liberdade, fraternidade, igualdade e solidariedade, entre muitos outros que a velha Europa também defende.
A “revolução dos cravos” em Portugal, ocorrida em 25 de Abril de 1974, devolveu ao povo português aqueles valores, pelos quais todos os cidadãos ansiavam, e que cada um lutava, como melhor entendia ser o processo mais adequado: uns competiam por dentro do sistema, sujeitando-se às mais diversas consequências, como as guerras do então “ultramar”; outros na clandestinidade e na emigração.
Quanto aos últimos – emigração -, Portugal muito deve à velha Europa, que acolheu centenas de milhares de portugueses, mas também a outros países exteriores ao espaço europeu, como por exemplo: Brasil, Estados Unidos da América, Venezuela, Canadá, entre muitos outros. Atualmente, Portugal muito reconhece, também, aos países que, generosamente, acolheram os emigrantes e exilados portugueses. Esta dívida de gratidão não pode ser esquecida, terá de ser paga na mesma moeda a esses mesmos países.
À época dos Descobrimentos Marítimos Portugueses, com especial referência ao século XV (embora em 1336, tenha ocorrido uma provável primeira expedição às ilhas Canárias, a que se seguiram expedições adicionais em 1340 e 1341), que desde o norte de África, Índias, Timor e Brasil, os Lusitanos levaram a outros mundos os valores nacionais e também os da velha Europa; que praticaram atos heroicos em defesa dos povos autóctones, como, igualmente, provocaram grande sofrimento aos naturais, pela exploração, pela escravatura e até pela morte. Isto não se pode ignorar nem branquear.
Os bens deixados nas ex-colónias portuguesas ainda estão por avaliar, pensando-se, e desejando-se, contudo, que não sejam tão negativos como alguns pretendem, porque pelo menos, uma parte da História comum, valores, língua e património construído, ficaram para sempre, naqueles territórios, e/ou pelo menos, enquanto tais povos assim o desejarem.






















