Seria interessante, e até surpreendente, poder saber-se, exatamente, com o rigor possível, disponibilizado pela ciência e obtido com a utilização de sofisticadas tecnologias, qual a grandeza, seja em que unidade de medida for, da sensibilidade humana de todos aqueles que exercem cargos políticos, para os assuntos sociais.
Porque não basta alguém afirmar-se como um político profissional competente, no sentido demagógico e das vitórias eleitorais.
A sensibilidade política para o discurso populista, para a defesa ideológica, em proveito do próprio, e dos correligionários que o apoiam, e/ou o seguem, é muito pouco face às carências, às fragilidades e ao pauperismo em que vive uma maioria de pessoas, em crescendo, em todos os cantos do mundo.
Que importa: aos mais pobres, aos marginalizados e aos excluídos, provavelmente, cada vez em maior número, apregoarem-se medidas económicas, obras estruturantes, algumas, eventualmente geradoras de um futuro e desejável desenvolvimento; outras, talvez nem tanto e que, pelo contrário, se tornarão em autênticos “elefantes brancos”, que em nada beneficiam aquela multidão de indigentes; que impacto causa, naquela população, a redução de um qualquer défice, a luta feroz contra determinadas infrações que, em alguns casos, parece uma autêntica caça às multas, aos impostos, aos trabalhadores, sejam eles por conta de outrem, sejam empresários, se tais resultados não forem visíveis na melhoria de vida dos mais carenciados, justamente daqueles que mais precisam? A dimensão social do homem, cidadão-governante continua, em muitos destes, portanto, e, lamentavelmente, irrelevante. É necessário, agora, passar: aos resultados; das palavras, aos atos; acreditando-se que tal venha a acontecer.
Nos regimes político-democráticos existe um valor, entre, felizmente, muitos outros, que permite desenvolver imensas atividades, com objetivos sociais: trata-se da liberdade, que deveria ser exercida com várias finalidades, direcionar-se para a elaboração e desenvolvimento de verdadeiros e eficazes projetos sociais, porque: «A liberdade é projecto, isto é, objectivo de fins que não são impostos pela situação de molde determinista e, aliás, antes respondem a essa situação. A liberdade é matéria do nosso ser. A consciência supõe a liberdade.» (STIRN, 1999:20), em vez de ser excessivamente utilizada, em eloquentes e prolixos discursos de propaganda, por vezes, com autênticos ataques pessoais, ofensas, humilhações e infâmias, contra os adversários políticos.






















