Bruxelas, 7 de setembro de 2026 – Centenas de representantes do setor metalúrgico convergiram hoje para o coração da Europa, numa manifestação organizada pela EUROMETAL sob o lema «Manter a Indústria Transformadora na Europa».
O protesto, realizado nesta segunda-feira, visa alertar os decisores políticos da UE para as distorções comerciais que ameaçam a base industrial do continente.
A organização, que representa os setores de distribuição de aço, derivados e transformação, denuncia um «campo de jogo desnivelado». Segundo a EUROMETAL, enquanto os produtores europeus realizam investimentos avultados para cumprir as rigorosas metas climáticas da União, os produtos acabados importados de fora do bloco entram no mercado europeu sem estarem sujeitos a obrigações equivalentes em matéria de carbono ou comerciais.
O cerne da reivindicação reside numa lacuna regulatória crítica: embora o aço bruto importado esteja sujeito a quotas, medidas de defesa comercial e ao Mecanismo de Ajustamento de Carbono na Fronteira (MACF), os produtos manufacturados que incorporam esse aço escapam a essas restrições. Esta assimetria, alertam os industriais, encarece a produção local e incentiva a deslocalização de fábricas, pondo em risco o know-how industrial e milhares de empregos qualificados.
«Não estamos a pedir subsídios ou tratamento especial. Estamos a pedir concorrência leal», afirmou Alexander Julius, presidente da EUROMETAL, durante a ação. «Os fabricantes europeus cumprem algumas das normas ambientais mais elevadas do mundo, mas veem-se confrontados com produtos importados que não enfrentam obrigações equivalentes. Isto coloca em risco as fábricas, o investimento e os empregos na Europa.»
Julius sublinhou que a preservação da indústria transformadora é fundamental para a prosperidade e autonomia estratégica do continente. «Se a Europa quer manter a inovação e empregos qualificados, deve garantir que os mesmos princípios se aplicam a toda a cadeia de valor da manufactura», concluiu o dirigente, num apelo direto às instituições europeias para que fechem as portas a práticas comerciais desleais que comprometem o futuro industrial da região.





