O chapéu de cowboy vai desfilar em Bruxelas. No dia 31 de outubro, Zé Amaro atua na capital belga, Espace Lumen, às 20h, numa noite que promete reunir a comunidade portuguesa em torno de canções que muita gente sabe de cor.
Para quem ainda não o conhece bem, a história conta-se depressa. José Amaro nasceu em Guimarães, a 1 de julho de 1973, e a carreira só ganhou forma a partir de 2007. Não teve pressa nem fez disso bandeira: foi construindo público com atuações, bailes e festas por todo o país, até se tornar uma das vozes mais reconhecíveis da música popular portuguesa.
Apaixonado pela música e pela vida, Zé Amaro é cantor e compositor e trouxe algo novo à música portuguesa: um estilo próprio, com ritmos country mais ligados à música norte-americana e brasileira. Foi pioneiro neste género em Portugal, e isso custou-lhe muito trabalho e dedicação. Foi preciso tempo para cativar os portugueses com uma sonoridade diferente, mas conseguiu, e hoje é o cowboy mais conhecido do país. A alcunha de “Cowboy Português” colou-se de tal maneira que passou para o próprio repertório. “Cowboy, Cantor e Violeiro” tornou-se quase um cartão de visita, e títulos como “Cowboy Apaixonado” ou “Deixei de Ser Cowboy por Ela” mostram que o personagem e o homem acabaram por andar de braço dado.
O sucesso não demorou a chegar. Em 2011, “Amor de Verão” valeu-lhe um Disco de Platina, uma marca que, para quem canta em português, não é pouca coisa. Seguiram-se os discos ao vivo, entre eles “10 Anos”, e uma lista de canções que enchem qualquer pista de baile: “O Meu Caminho”, “Oh Cara Linda”, “Depois de Ti”, “Malhão do Beijo”.
Em 2020, a pandemia abalou o mundo e os espetáculos foram cancelados. Isso não o impediu de manter a ligação aos fãs. Lançou músicas com amigos e colegas, participou em vários programas de televisão e continuou a publicar vídeos nas redes sociais, onde canta e conversa com quem o segue.
Em 2022, a carreira fez 15 anos e a festa foi à medida. O concerto de aniversário no Coliseu do Porto esteve quase esgotado antes de acontecer. Dois anos depois, o nome voltou a aparecer nos Prémios da Música Portuguesa, na edição de 2024, sinal de que o reconhecimento já passa para lá do público dos bailes.
Em 2023, mostrou outro lado. Numa entrevista longa no programa “Alta Definição”, de Daniel Oliveira, falou da vida fora do palco, e muitos viram ali o homem por trás do chapéu. Em casa, a terra não o esqueceu: Guimarães, mais concretamente a vila de Ponte, distinguiu-o como embaixador nobre.
Para quem vive na Bélgica, longe das festas de aldeia e dos arraiais de verão, uma noite assim vale por um bocadinho de casa. Num tempo em que a música é feita para durar trinta segundos, Zé Amaro é a prova de que ainda há quem construa carreira devagar, concerto a concerto, com o povo à frente do palco.









