Na Dinamarca, a equipa respondeu em campo. Fora dele, o capitão arrisca uma suspensão e as explicações prometidas ainda não chegaram.
Portugal venceu a Dinamarca por 4-2, em Copenhaga, na quinta-feira, o terceiro triunfo em três jogos da Liga das Nações, na ressaca da saída de Cristiano Ronaldo. Cancelo, Damsgaard e Gonçalo Ramos marcaram na primeira parte, e Højlund igualou no segundo tempo. Vitinha e João Félix fecharam o resultado. A equipa de Jorge Jesus lidera o grupo com nove pontos, contra três de cada um dos adversários.
Foi uma resposta em campo a uma semana que deixou o país a falar de outra coisa. Ronaldo abandonou o estágio na véspera do jogo, em rutura com Jorge Jesus, e prometeu contar "a verdade" sobre o que o levou a sair. A Federação limitou-se a confirmar a saída e garantiu que a comitiva mantinha o foco nos compromissos da Seleção. Segundo a imprensa brasileira, o capitão sentiu-se desprestigiado depois de não jogar contra o País de Gales e de saber que também não jogaria na Dinamarca. O jornalista espanhol Edu Aguirre, amigo do jogador, sustentou ainda que Ronaldo se sentiu "traído" por Jesus. É uma versão de terceiros, que nenhum dos protagonistas confirmou.
Há também a questão disciplinar. O regulamento da Federação prevê uma suspensão de um a seis meses, mais uma multa, para quem abandona uma atividade da Seleção sem justificação. Não encontrei nenhuma decisão anunciada. Segundo o regulamento, o abandono determina uma suspensão preventiva automática, mas a Federação ainda não disse como vai tratar o caso.
Nem o apito final trouxe sossego. Højlund celebrou o golo à maneira de Ronaldo e, no cumprimento final, empurrou Jorge Jesus. Jesus saudou um grupo que "acredita na ideia do treinador".
A equipa joga já no domingo e pode garantir o apuramento para os quartos de final. Fica assim o paradoxo desta semana: uma Seleção que ganha e convence, e um capitão que, a seu tempo, ainda tem de explicar o que aconteceu. Para os portugueses espalhados pelo mundo, que acompanham cada jogo com o coração apertado, a pergunta mantém-se. É o fim de uma era ou apenas um capítulo difícil?









