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Em Bruxelas, decorreu a Marcha pela vida, com simbolismo impactante e reflexão sobre a agenda política.

A “Marcha pela Vida” reuniu no dia 19 de abril cerca de 700 participantes na capital europeia, numa altura em que o país e a União Europeia voltam a ter na agenda política questões que influenciam diretamente a vida de seres humanos. Em semelhança à recente lei francesa, a Bélgica discute politicamente a constitucionalização do aborto, alargamento do prazo e gestação de substituição. 

Os organizadores da marcha afirmam que estes debates desviam a atenção: em vez de se questionar como ajudar realmente as mulheres em dificuldade e os problemas associados às famílias, discutem-se textos, símbolos e datas –“não há uma única proposta para apoiar as mulheres grávidas em dificuldade.”. O presidente da iniciativa, Wouter Suenens, afirma que “uma mulher nunca deveria sentir-se sozinha ou pressionada perante uma gravidez inesperada”. A iniciativa faz questão de recordar que “uma verdadeira escolha assenta num acompanhamento benevolente e em alternativas reais”. Os organizadores, passam uma mensagem de esperança e solidariedade, em que ninguém é descartável, levando a uma reflexão sobre o sensível tema.

A marcha pela vida é uma iniciativa que ocorre em todo o mundo, tendo tido origem nos Estados Unidos em 1974. Desde então, o movimento foi replicado em vários países, incluindo Portugal, promovendo anualmente manifestações públicas em defesa da vida desde a conceção até à morte natural, e apelando aos governos apoios nesse sentido. Entre os temas em destaque este ano, a gestação de substituição (GPA) ocupou um lugar importante. No seu comunicado, a ONG organizadora, CLARA Life, afirma que esta prática constitui “uma violência contra as mulheres”, considerando que “nenhuma mulher deveria […] ser levada a vender o seu corpo ou o seu útero para acolher uma criança que lhe será retirada à nascença”.

No coração de Bruxelas, a Caminhada pela Vida preeencheu-se de momentos marcado pela serenidade, simbolismo, e convicções profundas sobre o valor da vida humana. Houve discursos, aplausos, num ambiente sereno e positivo. Os participantes caminharam pelas ruas da capital belga numa marcha impactante em silêncio, envergando rosas brancas, símbolo frequentemente associado à paz, à dignidade e à defesa da vida — uma imagem marcante da iniciativa.

Podiam-se ler cartazes com mensagens, como “Proteger os vulneráveis, é forte!”, “Morrer com dignidade, é morrer acompanhado!”,“as vidas dos não-nascidos importam”. 

O percurso terminou com uma dinâmica “live drawing”, onde os participantes colocaram rosas à volta de uma gravura alusiva à maternidade. 

A organização sublinha que os apelos a uma abolição global da gestação de substituição (GPA) “se multiplicam”, incluindo a nível internacional. Cita, nomeadamente, um relatório das Nações Unidas segundo o qual esta prática “se caracteriza por exploração e violência em relação às mulheres e às crianças”. De acordo com esse relatório da ONU, a GPA reforçaria normas patriarcais “ao tratar o corpo das mulheres como uma mercadoria e um objeto”. Referiram ainda que “a dignidade não reside no isolamento, mas num acompanhamento marcado pela humanidade e pelo respeito”, acrescentando que “nenhum cidadão deveria sentir-se a mais numa sociedade”.

Com forte carga simbólica, a marcha silenciosa de 700 pessoas com rosas brancas em Bruxelas, transmitiu um forte impacto, levando à reflexão sobre questões sensíveis e debatidas no espaço nacional e europeu contemporâneo.

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