Europa celebra o cinema europeu, com a entrega do prémio LUX Audience Award.
O cinema europeu voltou ao centro do debate político em Bruxelas com a entrega do LUX Audience Award, uma iniciativa do Parlamento Europeu que aproxima cidadãos e instituições através da cultura. A edição de 2026 ficou marcada por emoção, aplausos e uma forte carga social.
A cerimónia abriu com um interlúdio musical protagonizado por Rhonny Ventat, Christophe Delporte e Adrien Tyberghein, perante uma plateia que reuniu eurodeputados, profissionais do setor e público. O modelo de votação — 50% cidadãos, 50% eurodeputados — reforça a dimensão participativa e democrática do prémio.
Entre excertos dos filmes nomeados e o suspense da votação, o hemiciclo acompanhou o anúncio do vencedor, anunciado pela Primeira Vice-Presidente do Parlamento Europeu, Sabine Verheyen. O galardão, torre de Babel, simbolizando as várias línguas da União Europeia unidas pelos mesmos valores, foi atribuído ao filme Deaf da realizadora espanhola, Eva Libertad. A obra retrata uma mulher com deficiência auditiva confrontada com os desafios da maternidade num mundo pensado para ouvintes, numa narrativa íntima onde o silêncio ganha expressão emocional. A atriz principal, também é portadora de surdez na vida real e ainda, irmã da realizadora; esteve presente, e apresentou-se ao público num dos momentos mais marcantes da sessão.
No discurso de vitória, Eva Libertad destacou a necessidade de dar visibilidade a realidades frequentemente marginalizadas e de questionar normas que limitam pessoas com necessidades especiais, limitando a riqueza e diversidade humana, sublinhando o cinema como “uma ponte entre mundos diferentes”.
Mais do que distinguir obras, o LUX afirma-se como plataforma de reflexão sobre temas como inclusão, saúde mental e direitos humanos. Num contexto de crescente polarização, a cerimónia voltou a evidenciar o papel do cinema como espaço de encontro — onde a emoção alimenta o debate e aproxima a Europa dos seus cidadãos.




