Parceiros

(Tempo de leitura: 2 - 3 minutos)
Retrato de uma pessoa adulta sorridente, com cabelo louro, vestida de forma casual, em fundo neutro, representando simbolicamente a comunidade portuguesa ativa na Bélgica.
Foto: DR/Ana Stebia


O 10 de Junho é, para os portugueses espalhados pelo mundo, muito mais do que uma simples data comemorativa. Representa identidade, cultura, união e o orgulho de manter viva a ligação a Portugal além-fronteiras.

Na Bélgica, onde reside uma comunidade portuguesa ativa e trabalhadora há várias décadas, estas celebrações deveriam servir, acima de tudo, para aproximar associações, valorizar o voluntariado e reforçar os laços entre gerações.

No entanto, nos últimos anos, tem crescido entre várias associações portuguesas um sentimento de afastamento e desilusão relativamente à forma como algumas estruturas federativas têm gerido a representação do tecido associativo durante os eventos comunitários. Diversas associações, legalmente constituídas e reconhecidas pelas entidades portuguesas, que desenvolvem trabalho ativo nas áreas cultural, tradicional, gastronómica e social, sentem que o seu esforço continua a não receber o devido reconhecimento. Veem-se privadas de oportunidades de participação em iniciativas que deveriam espelhar a totalidade da comunidade portuguesa na Bélgica.

Muitas destas organizações realizam, ao longo de todo o ano, eventos culturais, promovem artistas nacionais, preservam tradições, incentivam o convívio entre emigrantes e ajudam a transmitir às novas gerações o orgulho nas suas raízes. Grande parte deste trabalho é sustentado exclusivamente pelo voluntariado de homens e mulheres que dedicam o seu tempo à comunidade, sem quaisquer interesses financeiros ou políticos.

Torna-se, por isso, difícil compreender por que razão algumas associações continuam sistematicamente afastadas de eventos de grande visibilidade, enquanto outros espaços são atribuídos prioritariamente a interesses comerciais ou a estruturas mais próximas dos círculos habituais de representação.
Naturalmente, nenhuma federação conseguirá agradar a todos. 

Contudo, o papel de uma federação associativa deveria ser precisamente unir, integrar e representar a diversidade do movimento associativo português. Isto é ainda mais crucial numa comunidade emigrante de dimensão considerável como a nossa, onde a cooperação deveria ser encarada como prioridade e não como ameaça. Importa também recordar que estas estruturas beneficiam, muitas vezes, de apoios atribuídos pelo Estado português, acompanhados pelas entidades diplomáticas na Bélgica. Nesse sentido, exige-se uma atenção permanente ao sentimento de exclusão manifestado por parcelas significativas da comunidade.

Quando determinadas situações se repetem ano após ano, cria-se inevitavelmente um clima de desmotivação, afastamento e divisão. E isso acaba por prejudicar não apenas as associações diretamente afetadas, mas a totalidade da comunidade portuguesa na Bélgica.
O associativismo português no estrangeiro precisa, hoje, de renovação, abertura e capacidade para integrar novas iniciativas. As novas associações não deveriam ser vistas como concorrência, mas como a continuação natural do trabalho comunitário que tantas gerações de emigrantes ajudaram a construir.

A comunidade portuguesa cresceu na Bélgica graças à união, à solidariedade e ao espírito coletivo. Foram esses valores que permitiram preservar a cultura lusa fora de Portugal e criar um verdadeiro sentimento de pertença. Seria lamentável que mentalidades fechadas, rivalidades antigas ou divisões internas acabassem por enfraquecer este legado coletivo.

Porque, no final, quando as associações deixam de caminhar juntas, quem perde é toda a comunidade.


 



 

A nossa missão

Temos em linha

Temos 64029 visitantes e 2 membros em linha

EVENTOS ESTE MÊS

Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Boletim informativo

FOTO DO MÊS

 
 
 
We use cookies
Usamos cookies no nosso site. Alguns deles são essenciais para o funcionamento do site, enquanto outros nos ajudam a melhorar a experiência do utilizador (cookies de rastreamento). Você pode decidir se permite os cookies ou não. Tenha em atenção que, se os rejeitar, poderá não conseguir utilizar todas as funcionalidades do site.