O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, confirmou hoje, em Bruxelas, que eventuais problemas de abastecimento de querosene para os aviões terão “um impacto muito negativo na economia portuguesa”, por causa da quebra no turismo.
“Se isso suceder, e tendo em conta que, a suceder, poderá suceder no verão, terá um impacto muito significativo, um impacto negativo muito significativo na economia portuguesa”, admitiu o ministro, em declarações aos jornalistas, no final de uma reunião com os seus homólogos da União Europeia, em Bruxelas.
“Mais de 90%, 96% ou 97% dos turistas que chegam a Portugal, e no caso as regiões autónomas até mesmo 100%, vêm de avião, e, portanto, se não houver ‘jet fuel’ (querosene, combustível usado na aviação) a nível europeu, mesmo que haja nos aeroportos portugueses, os aviões não chegarão a Portugal e, portanto, os turistas não chegarão a Portugal”, explicou o ministro.
Sublinhando esperar que “esse cenário não se coloque”, o responsável pelas Finanças afirmou: “Se isso acontecer, nós teremos um choque económico muito significativo e teremos de, naturalmente, procurar responder a esse choque, porque temos uma economia onde o turismo é uma indústria muito importante, quer na receita, quer no emprego”.
Em relação a eventuais repercussões no processo de privatização da TAP, Miranda Sarmento salientou que o interesse estratégico das duas concorrentes, Air France-KLM e Lufthansa, se sobrepõe à crise conjuntural, mesmo que possa durar algum tempo.
O comissário europeu para a Energia, Dan Jorgensen, afirmou hoje que a UE está a preparar-se para uma possível escassez de abastecimento de querosene, apesar de o problema ainda não se colocar.
“Continuamos a preparar-nos para uma situação em que possam surgir problemas de segurança do abastecimento. Ainda não chegámos a esse ponto, mas pode acontecer, especialmente no que diz respeito ao querosene” afirmou à imprensa Jorgensen.
O mais recente conflito no Médio Oriente, iniciado no final de fevereiro e envolvendo EUA, Israel e Irão, aumentou a tensão sobre os mercados energéticos, com perturbações no estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás.
O bloqueio parcial daquela passagem tem contribuído para a subida dos preços da energia e para maior volatilidade nos mercados.




