Dez anos depois dos Atentados de Bruxelas de 2016, o Rei Filipe da Bélgica quebra o silêncio sobre uma dor que nunca desapareceu — e Bruxelas volta a parar para lembrar.
Uma década após os atentados que marcaram de forma indelével a Bélgica, a cidade de Bruxelas assinalou, com solenidade, a memória das vítimas de um dos episódios mais trágicos da Europa recente. As cerimónias evocativas decorreram sob o signo do recolhimento e da dignidade, reunindo representantes do Estado, na presença do Rei Filipe da Bélgica, famílias das vítimas e sobreviventes — muitos dos quais continuam a viver com sequelas profundas.
Os atentados de 22 de março de 2016, reivindicados pelo Estado Islâmico, consistiram em ataques suicidas coordenados em dois pontos nevrálgicos da capital: o Aeroporto de Bruxelas-Zaventem e a estação de metro Maelbeek, no bairro europeu. Nessa manhã, dois bombistas fizeram detonar explosivos na zona de partidas do aeroporto, provocando várias mortes e dezenas de feridos. Cerca de uma hora depois, uma terceira explosão numa carruagem de metro, em plena hora de ponta, agravou o número de vítimas e instalou o pânico na cidade. O balanço final registou 32 mortos e mais de 300 feridos, num duplo atentado que abalou profundamente a Bélgica e teve repercussões em toda a Europa, expondo fragilidades nos sistemas de segurança e conduzindo ao reforço das políticas antiterrorismo.
Durante a cerimónia, o monarca evocou o sofrimento persistente das vítimas e dos seus familiares, sublinhando que, dez anos depois, “o tempo não adiou a dor, apenas a tornou mais silenciosa, mais íntima e, por vezes, mais pesada”. Num discurso marcado pela sobriedade, centrou a sua mensagem na memória dos que sofreram, apelando à unidade e à resiliência coletiva - escute o discurso do rei no final deste artigo.
Na estação de Maelbeek, o mural espontâneo de homenagem voltou a encher-se de flores, mensagens e nomes, num gesto coletivo que transforma a dor em memória visível e partilhada. Já no bairro europeu, junto a Schuman, o monumento evocativo acolheu momentos de recolhimento e silêncio, onde autoridades, familiares e cidadãos prestaram tributo às vítimas, reafirmando a permanência da memória no coração da cidade.
Este foi um momento forte, de memória viva e de reafirmação solene do pacto coletivo num país e numa Europa que continuam empenhados no combate ao terrorismo. Uma década depois, Bruxelas lembra, com dignidade, que a memória das vítimas dos Atentados de Bruxelas de 2016 permanece viva — não apenas como luto, mas como compromisso coletivo na promoção da paz.
Discurso do Rei Philippe, versão original, em francês:
Discurso do Rei Philippe, versão traduzida, em português: