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Berlim, 06 mar 2026 (Lusa) – Patrick Miguel Costeira, o primeiro candidato lusodescendente numas eleições no estado alemão de Baden-Württemberg, que se realizam no domingo, quer devolver à região associações e grupos desportivos portugueses.

“A comunidade portuguesa sofreu muito nesta região. Tínhamos associações por todo o lado, hoje já não. É uma falha, tanto do Estado alemão, que tem possibilidades para isso, como também do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, que não tem feito nada para apoiar associações ou grupos desportivos”, lamentou.

Os pais vieram para a Alemanha com 6 anos, mas em casa sempre se falou português. Esse orgulho pela língua e pela cultura permanece, mesmo sem nunca ter vivido em Portugal. E até as discussões políticas eram, até há poucos anos, em português.

“Sempre me interessei muito por política, mas sempre apoiei partidos portugueses, por estranho que pareça, porque tinha aquela ilusão de que aqui na Alemanha estava tudo bem. Mas depois deparei-me com o facto de que não está tudo bem”, lamentou Patrick Miguel Costeira, de 37 anos.

“Sempre apoiei o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, mas nunca de maneira oficial (…) sempre fui adepto da Sahra Wagenknecht que, durante muitos anos, esteve no partido Die Linke”, contou à Lusa, numa pausa da campanha.

O pai é de Braga, a mãe de Lisboa. Patrick não quis estudar português na escola, era “muito confuso aprender ao mesmo tempo alemão, inglês”, mas optou por trabalhar mais tarde como estagiário no Consulado de Portugal em Estugarda. Mais tarde, começou a trabalhar na função pública e a estar mais atento à realidade alemã.

“Temos falta de habitação, temos uma habitação muito cara, empregos em risco com as grandes empresas da região a anunciarem constantemente despedimentos”, apontou, lamentando que, muitas vezes, os temas a debate não sejam os que mais interessam.

“É uma vergonha estarmos a falar de serviço militar, há temas muito mais importantes que ensinar às nossas crianças”, confessou, justificando a subida da extrema-direita com o mau desempenho dos outros partidos.

“Não acredito que na Alemanha tenhamos 20% de radicais de direita. Este partido (a Alternativa para a Alemanha, AfD) só cresce porque os outros falham. E não se leva o partido a sério, tal como em Portugal. Depois, obviamente, com toda a demagogia que há, ele vai crescendo”, realçou.

Patrick Miguel Costeira é candidato pelo partido Bündnis Sahra Wagenknecht (BSW), criado há dois anos. Segundo as sondagens, não deverá ir além dos 3% dos votos.

“Quando o partido nasceu, percebi que tinha de entrar em ação e fazer alguma coisa. A liberdade e a Alemanha que conheci desde criança é a mesma que eu desejo para os meus filhos. Hoje, infelizmente, a realidade é outra”, enfatizou.

Wagenknecht e o BSW têm defendido que a imigração na Alemanha deve ser controlada para proteger o estado de bem-estar e o tecido social alemão. Patrick admite já ter sido chamado de racista nas ruas, durante a campanha.

“É claro que temos de dar apoio aos que fogem de uma guerra, mas a Alemanha não está a conseguir dar conta do recado. Não pode haver imigração neste volume sem que a integração seja garantida. Se uma pessoa disser isto, já é chamada racista, extrema-direita, e não se trata disso”, justificou.

“Sempre houve imigração na Alemanha, e ainda bem que assim é”, rematou.

Estão agendadas cinco eleições estaduais e três eleições locais na Alemanha para março e setembro, sendo que a primeira, em Baden-Württemberg, terá lugar no domingo.


 



 

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