GENEBRA – A promessa de uma conectividade global ultrarrápida está a falhar no seu objetivo mais elementar: a inclusão.
Segundo dados recentes da União Internacional de Telecomunicações (UIT), embora as redes 5G já cubram 55% da população mundial no final de 2025, a tecnologia está a tornar-se um catalisador de desigualdade em vez de uma ponte para o progresso.
O relatório aponta que o ritmo de implementação nas regiões de rendimento elevado ultrapassou drasticamente o das zonas em desenvolvimento. Em vez de reduzir as assimetrias, o fosso digital entre o "Norte e o Sul" global intensificou-se nos últimos anos.
Enquanto as economias avançadas já discutem a maturidade da rede e os primeiros passos rumo ao 6G, vastas regiões de baixo rendimento continuam presas a infraestruturas obsoletas ou à ausência total de sinal.
Uma Cobertura Desigual
A estatística de que mais de metade da humanidade tem acesso teórico ao 5G mascara uma realidade fragmentada:
* Centros Urbanos vs. Zonas Rurais: A cobertura concentra-se massivamente em metrópoles desenvolvidas.
* Custo de Acesso: Mesmo onde o sinal existe, o preço dos dispositivos compatíveis e dos planos de dados permanece proibitivo para as populações de países de baixo rendimento.
* Investimento em Infraestrutura: A barreira de entrada financeira para a instalação de torres e fibra ótica continua a ser o principal obstáculo para os operadores em mercados emergentes.
Especialistas alertam que esta "desconexão" tem consequências reais no desenvolvimento económico, limitando o acesso à educação digital, telemedicina e novas oportunidades de mercado para quem mais precisa. Sem uma intervenção coordenada e políticas de investimento inclusivas, o 5G corre o risco de ser recordado como a tecnologia que consolidou a segregação digital do século XXI.




