Tony Da Silva

Anteriormente principal porto do Norte de Portugal e centro marítimo eminente na época das grandes descobertas, Viana do Castelo guardou a marca deste passado glorioso nas suas elegantes residências manuelinas e a sua arquitectura.

Anteriormente principal porto do Norte de Portugal e centro marítimo eminente na época das grandes descobertas, Viana do Castelo guardou a marca deste passado glorioso nas suas elegantes residências manuelinas e a sua arquitectura.

As construções da Praça da República e os seus arredores formam um conjunto notável, onde destaca-se o hospital IP Misericórdia. Famoso para o seu artesanato, festas que desenrolam-se durante três dias em redor do 20 de Agosto, Viana do Castelo acolhe hoje numerosos turistas, embora a praia a mais próxima situa-se fora da cidade...

Viana do Castelo:

Viana do Castelo jaz numa paisagem de singular encanto, entre o mar e a foz do rio Lima e encostada ao Monte de Santa Luzia.
A história de Viana começou em Cobrição de Santa onde se encontra actualmente um templo moderno. Para os jovens ou desportivos a subida a pé até à parte superior da cúpula (Zimborium) será memorável. Atrás do templo, há uma Pousada situada ao lado da velha aldeia com o resto das cabanas célticas de madeira. O seu declínio começou com a invasão Romana de Portugal. Como os legionários Romanos deviam ser alimentados, todos os caçadores e apanhadores habitavam sobre esta colina, os aldeões célticos desceram no vale e tornaram-se agricultores. No entanto a sua fortuna veio do comércio com o Brasil. A aldeia e os arredores possuiam numerosas e bonitas casas construídas por estes homens ricos...

 Recortada por ruas e vilas sinuosas e largos e praças pitorescas, as suas muitas casas senhoriais e palacetes recordam a importância que adquiriu no século XV como porto de pesca e terra de onde saíram navios, marinheiros e navegadores para os grandes Descobrimentos portugueses do século XVI.
O ex-libris da cidade é, sem dúvida, o seu largo principal, a Praça da República, com o magnífico edifício dos Paços do Concelho (antiga Câmara Municipal), de traçado medieval, a velha Casa da Misericórdia (monumento renascentista) e o lindíssimo chafariz (século XVI).
A cidade é como um museu vivo, com inúmeros monumentos e casas nobres de diferentes períodos e estilos. Mas é também a capital do rico folclore do Minho, com uma importante indústria de artesanato e animadas romarias.

A mais importante é a de Nossa Senhora da Agonia, celebrada

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em Agosto, que atrai multidões para assistirem à procissão, ao desfile espectácular em que as mulheres envergam os seus magníficos trajes típicos, aos arraiais com muita música, bailes e fogo de artifício, além da tradicional benção dos barcos de pesca.
Para usufruir de vistas deslumbrantes vale a pena subir ao topo do Monte de Santa Luzia (a cerca de três quilómetros do centro da cidade), a pé, de funicular ou de carro; no local existe uma luxuosa e bela pousada. A Sul de Viana do Castelo, a excelente Praia do Cabedelo é um local de eleição dos veraneantes.
Viana do Castelo é cidade desde 1848 e vila desde 1258. Antes, era um aglomerado agro-piscatório na margem direita da foz do Rio Lima, descendente dos povoados castrejos dos montes circundantes, particularmente, do de Santa Luzia, onde se conservam restos de um castro, romanizado e ocupado pelo menos até ao séc. IV. Mas encontramos vestígios paleolíticos nos terraços fluviais e praias elevadas do quaternário.

No século X, a região foi objecto de presúria pelo prócer galego Paio Vermudes, fundador dum mosteiro que os seus descendentes restauraram em S. Salvador da Torre.
O objectivo do foral de D. Afonso III é o de criar um aglomerado urbano, de expressão mercantil marítima, junto à foz do Lima, concentrando, no morro mais próximo do rio, uma população dispersa pelas quatro "vilas" existentes em redor, e centralizando no município a administração e eventualmente a defesa do termo concelhio.
A muralha, concluída em 1374, tinha inicialmente quatro portas, mas dela só restam hoje escassos vestígios visíveis. Englobava no seu circuito um bairro marítimo e a lage do penedo onde reuniam os "homens-bons" e junto da qual se ergueu a Torre de Menagem. Mas deixava de fora a igreja paroquial, lugares rurais e a piscatória Ribeira. Foi por isso que no século XV se construiu intra-muros (à custa do Penedo do Concelho e da torre) uma nova igreja, dedicada a Santa Maria Maior, que tornou obsoleta a igreja do Salvador e que transformou em Matriz (hoje Sé).
De Viana partiu João Álvares Fagundes à descoberta das terras do Noroeste Atlântico e, como ele, outros navegadores e militares, para o Brasil e para a Índia. De Viana, era o Capitão do Porto Seguro Pero do Campo Tourinho.
Como o comércio e o porto tinham de ser defendidos, D. Manuel fez construir a Torre da Roqueta. A ameaça dos piratas obriga a obras de ampliação no tempo de D. Sebastião, e D. Filipe I fez aí construir a obra integradora que, com poucos acrescentes posteriores, é o Castelo de Santiago da Barra.

 E foi pela épica resistência às tropas da Patuleia que a Rainha D. Maria II elevou Viana a cidade, por carta régia de 20 de Janeiro de 1848, afectando-lhe ao nome o monumento mais simbólico do seu passado e do seu valor: e Viana da foz do Lima passou a ser, definitivamente, Viana do Castelo.
A recuperação económica do século XVIII tinha trazido novas riquezas, e com elas os solares que embelezam a Ribeira Lima.

No século XIX vai-se prolongando este esforço construtivo de igrejas e palacetes. Mas surge, também, o Teatro Sá de Miranda, e o caminho de ferro veio trazer uma monumental estação (risco de Alfredo Soares) e a bela ponte metálica projectada por Gustave Eiffel.

Mas Viana se ainda vive orgulhosa de um passado recente, prepara-se quase de um salto, para entrar no novo milénio, com o pé direito e da melhor forma.

É o novo porto comercial, na margem esquerda, dando um outro movimento à zona de Darque e Cabedelo. É a nova ponte a valorizar uma IC 1, imprescindível nas ligações Valença/Viana/Porto. É o polígono industrial e o Ensino Superior. A nova doca de recreio, a Marina, o complexo turístico da beira-rio. É o centro histórico revivendo-se nas ruas velhinhas de séculos. É todo um concelho motivado que se afirma, consciente da sua força e do seu querer.

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