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BES: Lesados reclamaram em Espinho "totalidade" das suas poupanças

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Espinho, Aveiro, 12 out (Lusa) - Lesados do BES reuniram-se hoje em protesto junto ao Novo Banco de Espinho, reclamando que a instituição lhes devolva o dinheiro que investiram no BES

Segundo os lesados o banco terá de lhes devolver as verbas que tem em provisão desde 2014 para ressarcir os clientes de papel comercial.

Fernando Ribeiro, um dos 30 lesados que esta manhã participou no protesto em Espinho, em declarações à Lusa, dá que um exemplo de como existe esse dinheiro: "Ainda ontem recebi um extrato do Novo Banco em que aparece referido o meu dinheiro, mas sempre que vou ao balcão pedi-lo ninguém me deixa levantar".

Para aquele cliente do antigo BES e atual Novo Banco, o que está em causa "é um roubo", porque a situação resulta de um processo "que envolveu informação falsa desde o início" e nunca esteve previsto que os investidores de retalho não pudessem reaver o capital entregue à instituição.

"Em setembro de 2013, quando isto começou, o que o gestor de conta me disse é que o meu dinheiro estava seguro e os juros eram garantidos, mas o que se passou depois não corresponde a nada disso", recorda. "O banco ficou-me com o dinheiro todo e, depois de uma vida inteira a poupar, já que trabalho desde os 12 anos, chego aos 70, precisei de uma cirurgia oftalmológica e tive que andar a pedir dinheiro emprestado para a fazer", realça.

António Silva, outro dos lesados do BES e porta-voz do grupo, que esta manhã reunia clientes de Monção até Lisboa e alguns emigrantes portugueses em França, vem recolhendo assinaturas para uma petição a apresentar à Presidência da República apelando a que se "reponha a justiça" em todo este caso.

"Tudo o que nos prometeram está documentado, mesmo que depois se tenha visto que era mentira, e por isso é que o Banco de Portugal mandou o BES criar uma provisão de 1.837 milhões de euros para garantir segurança aos clientes de retalho", afirma.

"Se depois essa provisão passou para o Novo Banco, mesmo assim continuava a destinar-se apenas aos clientes que subscreveram produtos do BES e não podia ser utilizada para outros fins - que é o que está a acontecer e daí não nos estarem a devolver o dinheiro, apesar de as nossas aplicações [do papel comercial] já terem vencido no final de 2014", remata.

O protesto em Espinho prolonga-se até às 17:00 e, segundo a organização, deverá envolver mais lesados a partir do período de almoço.

António Silva refere que a estrutura que representa contacta regularmente com cerca de 100 clientes prejudicados pelo antigo BES, mas diz que nem todos podem participar em ações como a de hoje. "Uns porque não se podem dar ao luxo de perder um dia de salário e outros, com mais idade, porque isto os altera de tal maneira a nível psicológico que estão proibidos pelo médico de participar em protestos", explica.

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