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Antes de mais, assumo sem reservas mentais que amo o Brasil, que sou apaixonado pela "minha" João Pessoa. Se paguei um preço caro por este amor? Sim, paguei. Custou-me um divórcio e a distância dos meus filhos.

Mas amor sem preço, acredito que não seja amor. Sou direto e frontal, pragmático, sem devaneios. Até porque acredito que meios desejos e meias vontades, apenas, definem meios homens.

Gosto de Ricardo Coutinho, não gosto de Cássio Cunha Lima, gosto de forró, não gosto de Wesley Safadão, gosto de música, não gosto de barulho, gosto do Nordeste. Sou assim, não gosto de ser água morna, que nem para fazer um chá serve.
Tomo posições, não sei ser indiferente. Nós portugueses, temos sempre a lágrima no canto do olho, faz parte de nós, da nossa cultura. Desde do Sec. XIII, que a partida foi o nosso destino, habituamo-nos a partir e a ver partir, sem data de regresso e muitas das vezes sem regresso.

Gosto de partir, sem data de regresso, sem lágrima no canto do olho, sem despedida. Caso contrário, nem o mar salgado de Fernando Pessoa chegaria para tanta lágrima.
O Brasil é um país que aprendi a gostar, a respeitar, onde tenho amigos, alguns deles como se fossem irmãos. Um país diferente, senti e ainda sinto o choque cultural da Europa com a América do Sul. Ainda sinto na pele as agruras praticadas pelo nosso Rei, os impostos que tiravam o quase nada que os brasileiros tinham, o ouro, que servia para alimentar as nossas expedições além-mar.
O saque que a nossa realeza fazia, só D. Pedro escapa, no meu ponto de vista. Mas ainda hoje, nós portugueses, pagámos essa factura! Factura demasiado cara, onde está latente uma xenofobia profunda, por vezes disfarçada, nas nunca esquecida! Sinto-me triste, profundamente triste, sobretudo, alguém que cresceu e aprendeu que o Brasil é o país irmão, mas para alguns, devemos ser o irmão bastardo, por vezes, não há reciprocidade no amor. Mas o amor não tem o imperativo de ser recíproco.

Chorei em 1982, uma criança com 12 anos, caíram-me as lágrimas pela face, quando o Brasil foi eliminado na copa, foi um tiro na alma, era o meu team. Quando ouço determinados comentários, é como levar um par de chifre, sentir-me traído por alguém que aprendi a amar e respeitar (O Brasil). Confundem D. João com D.Pedro, o português mais brasileiro e mais brasileiro que muitos brasileiros. ( O google não mostra só carros e mulheres bonitas, também tem história)
Será importante relembrar, que os gringos, têm um papel fundamental na economia brasileira, são investidores, trazem capital, não têm direitos próprios dos brasileiros, como bolsa família entre outros, não tiram emprego aos brasileiros, pois a lei brasileira é hermeticamente fechada em relação aos vistos (e ainda bem que o é, na Europa é precisamente o mesmo), ou são investidores ou extremamente qualificados.

Não tenho qualquer prurido de afirmar que os brasileiros são bons, gente de bem, pessoas dignas e até demasiado educadas.
Apaixonei-me pelo Brasil, tenho saudades do Brasil, logo eu, que não sou saudoso. O Brasil não é praia e festa, ideia errada construída ao longo dos tempos, que passou a ser um dogma.
O Brasil é cultura, o Brasil é intelectual ( como gosto de ler: Rui Barbosa, Jorge Amado, Machado de Assis e outros tantos ), defino o Brasil como uma mistura de mundos e de culturas. Temos de desmistificar que o português não é burro e limitado! Admirados? Sim, eu também o fiquei, mas é uma realidade.

Compreendo, mas não aceito. Compreendo, porque os emigrantes dos anos 60 e 70, eram na sua maioria pessoas sem formação académica, que trabalhavam em restaurantes e padarias, onde mais tarde se tornaram os proprietários das mesmas, fazendo riqueza. Daí a ideia do português ser atrasado. Como já disse, compreendo mas não aceito. Nós, portugueses, exageramos em tudo, nos amigos, nos inimigos, na felicidade, na tristeza e até na nossa importância! Não deixarei de ser quem sou, para passar a ser quem não seria.

Lembra-me a fábula do sapo que queria ser boi, inchou, inchou, tanto inchou que rebentou. Deixou de ser quem era e nunca chegou a ser quem queria. Não falo sobre política e religião por razoes óbvias de não querer ferir a susceptibilidade de ninguém, inclusive a minha. Uma coisa é certa, amo como ama o amor, mas caso não me sinta amado, não insisto.
Se penso ir embora? Não. É aqui que gosto de estar e é aqui que vou ficar.

Se alguém que me lê, não se revê nas minhas palavras, peço encarecidamente, que me apague da lista de amigos, sem prazo dilatório ou direito ao meu próprio contraditório. Ser demasiado forte com os fracos e demasiado fraco com os fortes, é cobardia.

Espero ainda poder contribuir muito para a Paraíba e, nomeadamente João Pessoa, pois, tenho uma dívida de gratidão para pagar.

Jose Lourenço

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