Porque é importante que os portugueses estejam atentos e tomem consciência da verdadeira situação, não embarcando em “fake news” hoje tão disseminadas nos Mídas e fazendo ainda acreditar a muitos, que uma mentira repetidamente dita se torna numa verdade irrefutável e que produz o seu efeito.

O Estado da Saúde – SNS
A dívida dos Hospitais às Farmacêuticas vai em 949,3 milhões, dos quais 666 milhões são crédito vencido, sendo o prazo médio de pagamento de 330 dias
As demissões, todas referente a 2018, por considerarem insustentável a situação em que se trabalha nos Hospitais, com consequente degradação do serviços prestados aos cidadãos pondo em risco vidas humanas são infindáveis. Elencamos algumas, para que a perceção seja a real.

Hospital Garcia da Horta – Demissão em Bolco nas urgências
Hospital de Gaia – Demissão de 52 dos 56 dos Diretores e Chefes Serviço
Hospital S. José – Demissão de 16 dos 17 Chefes de Equipa
Hospital Guarda – Demissão de 3 Diretores de Serviço
Hospital S. João Demissão de 2 Diretores
Hospital de Faro – Demissão de 3 Diretores
Hospital de Viseu – Demissão de 90% dos Diretores Serviços e Coordenadores
Hospital Guimarães – Demissão do Diretor Serviço de Imagiologia
Hospital de Coimbra – Demissão do Diretor Serviço Imagiologia
Hospital Amadora-Sintra – Demissão dos Chefes da Urgência de Obstetrícia
Mas a lista poderia continuar, com os Hospitais de Matosinhos, Feira, Santarém ou Barreio.
Afinal o DIABO não veio. Está vindo e de Bata Branca.

A que ocupa o lugar de atual Ministra da Saúde porque na realidade o Super Ministro de todas as Pastas é Mário Centeno que de faca em punho corta a torto e a direito de forma cega diz que só para equipamentos precisava de 500 milhões, consequência do desinvestimento deste últimos anos, a nives inferiores ao período da Troika. Para quem tem dúvidas ainda esta semana um operário em Setúbal vitima de acidente de trabalho que lhe provocou uma amputação num membro superior, foi percorrendo hospitais desde Setúbal passando por vários de Lisboa, uns sem meios, outro com microscópio avariado, e lá foi subindo no país no sentido do Norte, até chegar ao Hospital de Gaia onde finalmente foi operado.

Ou outro caso do Hospital de Coimbra em que uma doente necessitava de cirurgia urgente, para resolver um aneurisma da aorta abdominal, em risco de rutura, mas dada a avançada idade e outras complicações de saúde desaconselhavam a cirurgia de forma convencional e apontava para uma laparoscopia com introdução de prótese, mas que só seria efetuada no dia seguinte por falta da mesma, que aguardaria receber vinda do Porto, pois o hospital tinha esgotada essa prótese. Resultado a doente faleceu durante a noite.

O Estado da Economia

O crescimento da Economia está em desaceleração continua. Depois dos 2,7% de crescimento do PIB em 2017, teremos em 2018 um recuo para 2,1%, prevendo-se 1,8% para 2019, 1,6% em 2020 (abaixo já dos 1,7% de 2015 primeiro ano pós Troika).

Isto deve-se ao facto da Europa, estar também a desacelerar, as exportações estarem a crescer menos e à falta de reformas estruturais e de preparação da Economia, em que este Governo tem vivido, o que sustenta sem margem para dúvida, que andou apenas á boleia quer das reformas do anterior governo, quer da favorável conjuntura europeia e internacional, com crescimentos das Economias, preço baixo do petróleo e taxas historicamente baixas, por intervenção do BCE, através do QE programa de recompra de Divida Soberana, que terminará dentro de dias a 31 de Dezembro.

Para os que sustentam a mentira, dita e repetida pelos Mídias, de que os portugueses recuperaram poder de compra com este governo, bastará analisar a informação recente sobre o PIB per capita da Zona Euro, em que Portugal estava em 14º lugar em 2016, baixando para 15º em 2017 voltando a baixar em 2018 para 16%, ou seja somos o quarto pior país da Zona Euro.

Continuamos com uma Dívida Pública astronómica, à qual este governo somou mais 20 mil milhões e amortizamos antecipadamente todo o empréstimo ao FMI, que já vínhamos fazendo desde o governo Passos Coelho, embora sendo bom para Portugal, termos recorrido a financiamento dos Mercados a taxa bem mais baixas que as que pagávamos do FMI, não se traduziu numa redução efetiva do saldo da Divida Publica, resultante dessa amortização de mais de 26 mil milhões, pois foi apenas uma troca de credores, contrariamente ao que o Governo com pompa e circunstância anunciou e que os Mídias sempre prontos a ajudar divulgavam insistentemente.

A verdade é que a Divida Pública subiu cerca de 20 mil milhões. Não foram aproveitados estes três últimos anos para preparar o país para o novo ciclo de baixa das economias, e pelo contrário toda a folga criada com essa favorável conjuntura, em lugar de ter sido aplicada na redução da Dívida Pública e do deficit do OE foi aplicada em distribuir benesses, cirurgicamente na captação desenfreada de votos. Terminaremos o ciclo com deficit do OE (0,2%) e com a Dívida Pública nominal em crescendo, aproveitando o governo de forma habilidosa para a referir em percentagem do PIB o que facilmente aparenta redução, e acrescentado agora um deficit na Balança Comercial que a haviam recebido positiva.

Pelo contrário a Grécia apresentará em 2019, um SUPERAVIT no OE de 0,6%, previsões de crescimento pelas mesmos organismos que o fizeram para Portugal, mas de 2,3% em contraste com os nossos 1,8%, e propondo-se baixar a sua Divida Publica em 12,8% contra os modestos 2,7% previsto pelo governo de António Costa.

Finalmente e analisada a situação podemos concluir, que de facto do Diabo não veio, está vindo muito disfarçadamente envolvido numa retórica que desmente a narrativa do governo do fim da austeridade, agora transferida para os serviços do Estado, e a chegada ao Paraíso, parecendo que mais uma vez que o PS nos deixará à entrada do Inferno, aliás como já o fez em outras ocasiões, a pior das quais em 2011, e, curiosamente com muitos destes que hoje estão no governo António Costa.

Vila Nova de Gaia, 18 de Dezembro de 2018
Fontes; INE, BP e Eurosat

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Rogério Pires
Colaborador Convidado
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