(Lusa) – A cabeça de lista do BE às eleições europeias, Marisa Matias, defendeu hoje que as pontes que foram construídas na atual legislatura “não podem ser destruídas” porque um dos parceiros tem “ambição de uma maioria absoluta”.

Intervindo num comício do BE, que decorreu esta tarde em Lisboa, a candidata considerou que “há um caminho muito longo que está ainda para fazer e não foi tudo perfeito”, pois “houve muitas coisas que correram mal ao longo deste processo”.

Mas, “o caminho que está por fazer não é de somenos importância”, salientou, sustentando que “estão dossiês em cima da mesa que são tão importantes”, dando como exemplos as rendas da energia, o apoio aos cuidadores informais, a habitação, a Lei de Bases de Saúde ou os trabalhadores por turnos e noturnos.

Por isso, defendeu a eurodeputada, as “pontes que foram construídas não podem ser destruídas em nome da ambição de uma maioria absoluta”.

“A nossa gente exige mais e a nossa gente tem razão”, sublinhou a bloquista.

Também presente no comício, o ex-líder do Bloco Francisco Louçã ironizou que “se houvesse crise política importante em Portugal, ou se houvesse motivos de grande preocupação e de grande tensão”, talvez “não resistisse à tentação de falar alguma coisa sobre política”.

“Mas, como não existe nada parecido”, o histórico dirigente disse ter ficado “na dúvida” sobre que o que falar.

Marisa Matias aproveitou também o momento para recordar o tema das alterações climáticas, apontando que não há “um planeta B”.

“É por isso que apresentámos uma proposta que responde às alterações climáticas”, disse.

Notando que “o parlamento britânico aprovou um projeto em que declara o estado de emergência no Reino Unido por causa” deste flagelo, a primeira candidata da lista do BE defendeu que se “deve declarar o estado de emergência europeu por causa das alterações climáticas”.

“Nós precisamos de reconverter a nossa economia, precisamos de criar empregos verdes, precisamos de ter um sistema que garanta que há eficiência energética, que há transportes e mobilidade, um sistema que nos garanta que vamos ter futuro”, assinalou.

Marisa Matias apontou que “os jovens que fazem as manifestações pelo clima já o perceberam há muito tempo” e criticou que “não é compreensível que os governantes e os eleitos não percebam ainda o que jovens já perceberam há muito tempo”.

A cabeça de lista às eleições que se disputam em 26 de maio, referiu também que, “apesar de não abrir telejornais”, esta crise afeta “muito mais” Portugal “do que outros países”.

“Nós sentimos na pele o impacto dos incêndios, sentimos na pele o impacto de cheias torrenciais, começamos a sentir que os fenómenos climáticos extremos são fenómenos que vieram para ficar, a não ser que nós ponhamos um travão”, defendeu, acrescentando que os tratados europeus, não só “não permitem responder às alterações climáticas”, como “a única coisa que fazem é criar obstáculos”.

Para a bloquista, “estes tratados não servem” para a vida dos portugueses, nem para a economia, para a sociedade ou para “responder aos problemas concretos das pessoas” ou para responder à crise do clima.


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