O Eurodeputado José Inácio Faria lamenta as recentes avaliações acríticas, simplistas e erróneas do desempenho e assiduidade dos eleitos ao Parlamento Europeu, veiculadas por alguns órgãos de comunicação social com base em sites privados de rankings.

São já conhecidas de todos os Eurodeputados as divulgações regulares deste tipo de avaliações que recorrem a algoritmos, que podem alterar ao longo do mandato, privilegiando assim os seus beneficiários. Após alguns contactos envidados ao longo do mandato procurando explicações sobre a base de critérios de avaliação, tornou-se evidente que se tratam de plataformas privadas, de origem obscura face à sua gestão, funcionamento e financiamento que não respondem por nome, organização ou morada. Exemplo disto é a plataforma privada habitualmente citada na comunicação social portuguesa MEPRanking.eu, que refere as diversas possibilidades de financiamento “generoso”, conforme consta em: Mepsoftware.eu.

Esta mesma plataforma comunicou, em 2017, uma alteração do algoritmo em que passaram a ser considerados, como um dos principais critérios, os cargos formais parlamentares ocupados por cada Eurodeputado (nas Comissões, Delegações e dentro do seu próprio Grupo Político, independentemente do trabalho efectivamente realizado em cada uma destas funções), bem como a inclusão de outros critérios de avaliação sui generis, como o número de tweets.

Estas avaliações têm ainda limitações grosseiras por não contemplarem no algoritmo o trabalho político e técnico realizado em reuniões, delegações oficiais, missões de observação eleitoral ou em representações externas do Parlamento Europeu. Existem outros factores que também não são tidos em conta, como a proporcionalidade de cada deputado no seio do grupo político a que pertence, uma vez que isso influi diretamente na probabilidade de distribuição de cargos e de acesso à liderança dos processos legislativos como relator ou relator-sombra.

O resultado é uma lista enviesada, fundada numa complexa grelha de "avaliação" com factores multiplicativos variáveis ao longo do ano, ao sabor dos interesses dos financiadores, o que põe em causa a independência destas avaliações que devem ser, por isso, lidadas com a devida precaução.

José Inácio Faria refere que “é preciso algum espírito crítico quando se produzem notícias sobre a actividade e assiduidade dos Eurodeputados com base em listas ou tops porque estas podem não reflectir a real produtividade de cada um. Quando não existe uma análise cuidada e cruzada de toda a informação pública, inclusive a disponibilizada no site do próprio Parlamento Europeu (que tem uma fonte de financiamento transparente: o dinheiro dos contribuintes europeus), corre-se o risco de se propagar, não diria fake news, mas meias verdades que minam a transparência da atividade dos políticos eleitos.

Com isto, está-se ainda a fomentar discursos populistas e demagogos que, ao pretenderem exactamente descredibilizar a actividade política, contribuem para afastar os cidadãos do local de escrutínio por excelência: as urnas de voto”. O Eurodeputado acrescenta ainda “Não tenho nada contra os rankings, desde que eles retratem a realidade de forma transparente e objectiva”.


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