Assim vai este País

ID:N°/ Artigo: 2727
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Iniciado que está o último ano desta legislatura com a aprovação do OE para 2019 façamos uma reflexão sobre o que se passou neste período.
Comecemos pelo OE agora aprovado pela maioria unida das esquerdas, PS, PCP, BE e agora o PAN.

Um OE que de facto apresenta um deficit de 0,5% embora em documento anexo e já prevendo cativações se diga vir a ser de 0,2%. Depois é elaborado com base num crescimento do PIB para 2019 de 2,2%, contra todas as previsões internacionais que apontam para 1,7% ou 1,8%.

È portanto um OE assente em falsidades que obrigará Costa e Centeno a terem a faca mais afiada tendo em consideração a postura do “custe o que custar”, acusação tantas vezes feita por este PS ao governo Passos Coelho, mas que agora nesta democracia condicionada passou a ser virtuosa. Mesmo dando de barato que lá chegarão importa analisar o seguinte: Passos Coelho encontrou um deficit do OE de 11,2% deixado pelo PS, e em 2015 deixou-o em 2.98%, ou seja baixou 8,22% na legislatura, quando este governo encontrou um deficit do OE de 2,98% e poderá deixa-lo em 0,2%, ou seja baixa 2,78% na legislatura.

Muito fogo de artificio mas muito mais de pólvora seca porque na realidade o feito fica-se por poucochinho, tendo em conta a conjuntura extramamente favorável vivida nestes últimos três anos, de crescimento da Europa, de baixas taxas de juros, de petróleo barato, de desemprego em baixa e turismo em alta.

Não preparou o país para um novo ciclo de arrefecimento da economia e ainda ficamos com um OE em deficit quando a Grécia saída há pouco do programa de assistência económica e financeira já prevê em 2019 o seu OE com superavit de 0,6%, e, com previsão dos mesmos organismos internacionais do crescimento do PIB em 2,3%.

Este governo desbaratou toda a folga que a conjuntura lhe proporcionou aumentando a despesa, distribuindo benesses pela clientela com um único objetivo desenfreado da caça ao voto. Nesta matéria, um resultado à Costa, de poucochinho. Em 2019 ficaremos a saber que vamos ser ultrapassados até pela Grécia e corremos o risco de vir a ser os lanternas vermelhas do crescimento. A nossa economia está a arrefecer mais que a Zona Euro, que também o está.

Foi divulgado o Indicador Compósito referente a Outubro que demonstra essa tendência, ficando-se em 99,39 contra os 99,56 de Setembro, e abaixo do valor da Zona Euro fixado em 99,49 e como é sabido terá de ser superior a 100,00 para termos a Economia a crescer sustentadamente. Este indicador avançado antecipa o comportamento da economia nos próximos 9 meses, e como se constata não é brilhante. Estaremos a crescer menos que no passado e abaixo da Zona Euro.

A Divida Pública, cujo objetivo invocado aquando da chegada ao governo era de a estancar e o que vemos é um novo recorde de mais de 251 mil milhões, quando receberam em 2015 cerca de 231 mil milhões, isto é cresceu 20 mil milhões, mesmo com os tais deficits mais baixos da democracia e, anunciam com pompa e circunstância que pagam a ultima tranche da divida ao FMI, quando na realidade trocam de credores, pois vão aos mercados e bem, financiar-se a taxas mais reduzidas, provocando menores encargos, o que sendo bom já era o caminho que Passos Coelho havia iniciado, mas na realidade o saldo da divida pouco ou nada se altera. Mais uma mentira repetida pelo Costa e Centeno, difundida pelos subservientes Mídias, tentando que pela repetição se torne numa verdade pela repetição incessante.

O governo vende a ideia de grandes sucessos como baixa do desemprego, mérito das empresas e empresários e da conjuntura, crescimento do turismo, mérito dos operadores turísticos, hoteleiros e restauração problemas nalguns destinos turísticos que em alternativa se desviaram para Portugal, crescimento das exportações mas não suficiente para evitar de novo um deficit da Balança Comercial, que relembro em 2011, o PS deixou com um deficit de 7,2% e que a recebeu em 2015 positiva, portanto com excedente.

Este governo governou à boleia da conjuntura, do trabalho e das reformas do anterior, e, com uma brutal carga fiscal sendo a maior dos últimos 22 anos, foi distribuindo a folga criada, em benesses à clientela e não preparou o País para o novo ciclo da economia em baixa, que já se iniciou e que será agravado pelo fim do QE programa do BCE de recompra de Dívida Soberana, a ter o seu fim em 31 de Dezembro próximo, cuja consequência inevitável será o aumento das taxas de juros da Dívida Pública, aumentado assim os encargos com o serviço da dívida, com consequente aumento da despesa, colocando pressão no deficit.

Está o governo no momento a braços, com um período de greves que já superou o das greves em plena TROIKA, com quase todos os sectores a paralisarem, exigindo aumentos de salários, de regalias e reposição de carreira, fruto da narrativa de António Costa e Centeno que venderam a ideia que acabaram com a austeridade, quando ela só foi transferida para a máquina do Estado, bastando ver o que se passa no SNS, Educação, Justiça, Transportes, Infraestruturas com estradas a abaterem e até na Proteção Civil, cujos exemplos dos incêndios de 2017 com mais de 100 vitimas, traduz a incapacidade do Governo do PS de António Costa de cumprir a obrigação Constitucional de “Garantir a Segurança de Pessoas e de Bens”

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Rogério Pires
Colaborador Convidado
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