Ocorreram este fim de semana as Eleições Comunais na Bélgica com números recorde de candidatos e de eleitos portugueses. Devemos dar os parabéns a todos quantos contribuíram para este momento de participação cívica da nossa comunidade, especialmente os que tiveram a coragem de integrar listas e de ir a votos.

A quantidade e qualidade destes nossos compatriotas, que decidiram lutar pelas ideias em que acreditam e tentar ser eleitos no país em que residem, deve ser recompensada, no mínimo, com o nosso reconhecimento. Devemos olhar para o seu exemplo e procurar colaborar para que este trabalho não seja desaproveitado.

Todavia, este número recorde de participações, em termos de candidatos e eleitos, não foi acompanhado por um aumento significativo no número de portugueses inscritos para votar. Especialmente no que diz respeito à percentagem de eleitores inscritos que, infelizmente, diminuiu em relação às últimas eleições de 2012. Mais uma vez, só se inscreveram para votar nestas eleições pouco mais de 10% dos portugueses residentes na Bélgica. Este é um problema que afeta a nossa comunidade e que, apesar dos esforços feitos para o combater, não se vislumbra de fácil resolução.

Durante a campanha, foi possível ouvir da parte de alguns portugueses os habituais refrões de quem desconfia da participação cívica no mundo político; “só aparecem quando querem alguma coisa”, “nunca se lembram de nós a não ser para votar”, “os políticos não querem saber das pessoas”, etc. Não querendo rebater nenhuma destas frases, gostava de perguntar o seguinte; onde estão os quase 90% de portugueses residentes na Bélgica, que nem sequer se inscrevem para participar numas eleições para o poder local? Eleições que têm influência direta no seu dia a dia e no da comunidade onde vivem?

Temos de acreditar que nenhum destes não inscritos pertence ao grupo dos que tão prontamente criticam aqueles que têm coragem para ir a votos e defender as suas ideias. Quem participa merece ver aquilo em que acredita tornar-se realidade mas, de igual modo, quem não vota não pode esperar a recompensa de ver as suas necessidades atendidas tão rapidamente como as daqueles que o fizeram. As comunidades mais participativas terão sempre mais atenção por parte dos eleitos.

Esta relação entre participação e recompensa, não deve ser nunca encarada como um fim em si mesmo - até porque acredito que todos quantos participaram nestas eleições o fizeram por acreditarem naquilo que defendem e não por estarem em busca de uma qualquer improvável recompensa - mas tem de ser tida em conta no que diz respeito à participação da nossa comunidade na vida política local. Não podemos esperar ser ouvidos e ter uma representação efetiva onde vivemos se não participamos e nem de 6 em 6 anos conseguimos fazer um pequeno esforço para fazer ouvir as nossas opiniões.

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