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Diamantino Bártolo

O exercício do Poder, qualquer que seja a sua natureza: parental, militar, político, religioso, empresarial, institucional, social, entre outros, não é imperecível, bem pelo contrário, quantas vezes acontece que o seu período de duração, inicialmente previsto, é interrompido, pelos mais diversos motivos: falecimento, doença grave impeditiva, perda de mandato devida a atos injustos, ilegítimos e/ou ilegais cometidos, indignação dos subordinados com recurso à força, greve e/ou à justiça, para derrubar aqueles que, abusando do Poder, perseguem, humilham, discriminam, negativamente, uns em favor da concessão de privilégios a outros. O Poder é, portanto, efémero.

Quando alguém é promovido, nomeado ou eleito para o exercício de um determinado Poder, não deve ignorar as suas origens pessoais, a proveniência social, profissional e estatutária que ao longo da vida tem adquirido, bem como ter sempre presente que o exercício do Poder, é tanto mais valorizado quanto possibilita a resolução de problemas e situações negativas, que afetam os subordinados do detentor desse mesmo Poder.

Com efeito, prejudicar alguém: física, psicológica, moral, profissional e financeiramente, através do Poder despótico, desumano e persecutório, é próprio de líderes doentes, fracos e cobardes, que se escudam nas competências que, alegadamente, as normas lhes conferem, para dominarem, quantas vezes, impiedosa e ilegitimamente, todas as pessoas que se lhes opõem lealmente, ou não concordam com as suas ideias, ou, ainda, lhes não satisfaçam as vontades, por vezes as mais disparatadas, ou até ofensivas à honra, reputação, bom-nome e dignidade do empregado.

É insuficiente ser-se promovido, nomeado ou eleito para uma específica liderança, se a pessoa que vai assumir o Poder, estiver imbuída de planos, estratégias e métodos ardilosos, que visam interesses próprios ou de “compadrios” ou, ainda, de uma certa “clientela”, em prejuízo dos demais colaboradores.

O exercício do Poder não é compatível com atitudes negativamente discriminatórias, de favorecimento de uns tantos amigos em prejuízo dos restantes colaboradores e, em circunstância alguma, é admissível qualquer tipo de perseguição, represália ou vingança, porque estes comportamentos são próprios dos ditadores, com caráter duvidoso, sem princípios, nem valores nem sentimentos.

Toda e qualquer liderança que promove a divisão, o favorecimento e privilégios para os amigos, e que à mais insignificante falha dos demais, logo aciona os mecanismos para a punição, de forma arbitrária, unilateral e ilegítima, quando não, ilegal, não tem condições para exercer o Poder com dignidade e humanismo.

É sabido que o Poder é efémero: “dura enquanto durar”, por isso, mais cedo ou mais tarde, termina e, muitas vezes da pior maneira para quem o exerceu com autoritarismo, com parcialidade, com abuso, logo, é importante que as lideranças reflitam sobres os processos, estratégias a que recorrem, os objetivos que perseguem, porque não há, não pode haver, pessoas, colaboradores, empregados, cidadãos de primeira, de segunda ou de terceira categorias.

A pessoa humana nasce livre e igual, com deveres e direitos consagrados nas normas sociais, no direito consuetudinário, nas normas jurídicas, nos usos, costumes e tradições. Naturalmente que os preceitos sociais, que não são de cumprimento obrigatório, poderão não ser suscetíveis de punição quando violados, todavia a comunidade poderá produzir a censura que ao facto couber.

O cumprimento dos princípios e normas legais, obviamente, compete sempre, em primeira instância, a quem exerce o Poder, que tem o dever de dar os melhores exemplos para os seus subordinados, sem o que não terá autoridade ético-moral nem profissional, para exigir o que ele próprio não cumpre ou não sabe executar, respetivamente. Não basta mandar, não chega ser-se chefe de qualquer organização ou setor, para impor aos outros o que arbitrariamente lhe vai na cabeça.

A sociedade está cada vez mais repleta de líderes autoritários, em que a vaidade do Poder, lhes perturba a pouca inteligência e as fracas ideias que possam ter. Hoje, há “líderes” que pela sua inexperiência de vida, pelo narcisismo que levianamente alimentam e pelo deslumbramento “bacoco” do Poder, não passam de “criaturas-bestiais”, fracassadas na vida, independentemente dos estatutos: social, profissional, e cultural que possam ter adquirido, lhes sido concedido, ou herdado.

É uma verdade que está provada na sociedade: grande parte das pessoas que exercem o Poder despótico, pensam e agem como se essa circunstância da vida fosse perene e que, uma vez assumido o cargo, jamais alguém os destronará, por isso, nesta “convicção” infundada, atuam indiscriminadamente, segundo a tristemente e célebre máxima: “Quero, Posso e Mando”, pisando tudo e todos os que com elas não concordam, ou se opõem aos seus desígnios maldosos.

As instituições, qualquer que seja a sua natureza, cada vez mais carecem de líderes competentes: com educação e formação ético-moral e profissional, resistente a quaisquer tentativas de violação de princípios, valores, sentimentos, normas, deveres e direitos; pessoas que tenham a clarividência suficiente para exercer o Poder com humanismo, idoneidade e tolerância para com os mais frágeis, ajudando os que revelam mais dificuldades.

Uma liderança forte não é a que exerce o Poder ditatorial, que dentro e no âmbito da mesma instituição, persegue subordinados e que favorece amigos, ou que a todo o custo se agarra ao cargo. Um líder democrático, humanista e habilitado, sabe fazer-se respeitar, sem se impor pela ameaça permanente da punição, e consegue identificar o momento em que deve abandonar a liderança.

Costuma-se dizer que: “Na terra dos cegos, quem tem um olho é Rei”. É provável que nos meios pequenos, em muitas instituições, de facto assim aconteça, que surjam os tais “reizinhos” os quais, rapidamente, se autopromovem a “imperadorzinhos” e assim começam a governar a organização, como se fossem uns “iluminados”, e o cargo ficaria para eles o resto da vida: para eles e para os amigos que passam a “girar” à sua volta, “quais borboletas esvoaçando em redor da lâmpada”, desfazendo-se em bajulações pacóvias. 

É muito importante que qualquer candidato, ao exercício do Poder e/ou que o já venha exercendo, tenha a humildade de refletir que será uma situação transitória na sua vida, sabendo-se que quando terminar as respetivas funções, poderá ser bem recebido ou rejeitado pela sociedade em geral; amado ou odiado por aqueles que estiveram sob as suas ordens e que sobre tudo o que esse líder tiver feito de errado, com intenção de prejudicar alguém, terá de prestar contas.

Todo o líder, suficientemente inteligente, sabe que só tem a ganhar se for imparcial, justo, tolerante, humano, compreensivo, um verdadeiro colega, mesmo em relação aos seus subordinados e que, seguramente, estes lhe saberão retribuir sempre que necessário, porque havendo reciprocidade na troca de princípios, valores, sentimentos e boas práticas de relacionamento, a liderança e os liderados sentir-se-ão motivados, recompensados, gratos e realizados.

 

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