O Presidente da República condecorou anteontem a Presidente do Conselho Português para os Refugiados, com o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade, cerimónia realizada no Palácio de Belém, a que assistiram entre outras Figuras públicas, o Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou o trabalho da agraciada, uma “ vida dedicada à solidariedade social...à clausura “, funções desempenhadas durante vinte e cinco anos, para a comunidade e o país.

Teresa Tito de Morais foi fundadora em 20 de Setembro de 1991 do Conselho Português para os Refugiados, e sua Presidente da Direcção até Março último, depois de também ela, refugiada na década de 60 e 70 do século passado, ter vivido até ao 25 de Abril na Suíça. A homenageada fundou aquela ONG (Organização Não Governamental) depois de ter colaborado durante 13 anos com a ACNUR (Associação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados). Durante a sua ausência de Portugal, conheceu o marido, Jaime Teixeira Mendes, médico formado pela Universidade de Lausanne, próximo de Genéve, cirurgião pediatra que é Presidente da Associação de Médicos pelo Direito à Saúde e também do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos.

Recordemos, que o Conselho Português para os Refugiados, dispõe actualmente de três Centros de Acolhimento e um Espaço Criança em Lisboa, tendo sido já galardoado no ano 2000 com o prémio Direitos Humanos, atribuído pela Assembleia da República.

Quanto ao trajecto familiar e profissional de Teresa Tito de Morais é comum a seus ascendentes, no desempenho de funções públicas, senão vejamos: o pai. Manuel Alfredo Tito de Morais (1910-1999), licenciado em engenharia electrotécnica pela Universidade de Gand, Bélgica, integrou a comissão de candidatura do general Norton de Matos a Presidente da República (1948-1949), foi fundador do Partido Socialista em 1973, e seu primeiro deputado eleito pelo distrito de Viana do Castelo (1976), Secretário de Estado da População e Emprego, Presidente da Assembleia da República e honorário do PS; o avô, Almirante Tito Augusto de Morais (1880-1963) foi um dos heróis do 5 de Outubro, deputado pelo círculo de Ponte de Lima às Constituintes de 1911, Presidente do Tribunal da Marinha e do Domínio Marítimo de Portugal, Governador da India e Ministro da Marinha.

A finalizar, evoquemos o bisavô, o agrónomo Manuel do Carmo Rodrigues de Morais (1845 – 1909), Chefe dos Serviços Anti – Filoxéricos do reinado de D. Carlos I, autor de vários livros sobre viticultura e fundador da Escola Prática de Agricultura de Ponte de Lima, em 1892, na sua Quinta das Cruzes, freguesia de Moreira de Lima.


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