Ryanair diz que "apenas oito" dos 170 voos previstos para hoje foram cancelados

Lisboa, 04 abr (Lusa) - A Ryanair informou hoje que "apenas oito de entre os primeiros voos do dia foram cancelados", de um total de 170, salientando que "a grande maioria dos tripulantes de cabine" portugueses estão a trabalhar "dentro da normalidade".

Em comunicado, a operadora aérea irlandesa refere que "a grande maioria" dos "tripulantes de cabine em Portugal estão hoje a trabalhar dentro da normalidade", acrescentando que "apenas oito de entre os primeiros voos do dia foram cancelados (de um total de 170 voos de/para Portugal), sendo que estes clientes já estão a ser recolocados em outros voos ao longo do dia de hoje ou voos extra" que serão operados na quinta-feira.

A paralisação foi marcada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), que tem denunciado a substituição ilegal de grevistas por trabalhadores de bases estrangeiras, o que levou a Autoridade para as Condições do Trabalho a anunciar uma inspeção.

A greve de três dias (não consecutivos) visa exigir que a transportadora de baixo custo irlandesa aplique a legislação nacional, nomeadamente em termos de gozo da licença de parentalidade, garantia de ordenado mínimo e a retirada de processos disciplinares por motivo de baixas médicas ou vendas a bordo abaixo das metas da empresa.

"A Ryanair fez um grande esforço durante este período para manter os voos e férias de Páscoa dos […] clientes e respetivas famílias e, graças aos […] tripulantes de cabine portugueses, que em grande parte ignoraram esta greve convocada por sindicatos de companhias aéreas concorrentes, estes esforços tiveram sucesso tanto na semana passada como hoje", refere a operadora de baixo custo (‘low-cost').

Hoje, num primeiro balanço, a presidente do SNPVAC, Luciana Passo, deu nota de 11 cancelamentos em 17 saídas previstas, mas também de partidas de aeronaves sem passageiros para irem recolher tripulação.

Na terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, advertiu a Ryanair para cumprir a legislação laboral portuguesa, considerando que esta não pode substituir trabalhadores em greve por outros funcionários.

No mesmo dia, o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, afirmou que “o Governo pode fazer o que pode fazer sempre nestas situações – quando há indícios de que está a ser posto em causa um direito fundamental –, que é utilizar e mobilizar os instrumentos que a lei dispõe, seja contraordenacionais, seja punitivos, se for caso disso”.

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