Madrid, 30 dez (Lusa) - As chegadas de migrantes a Espanha duplicaram em 2017, com mais de 21.400 pessoas a cruzar a fronteira de barco e 5.473 a fazê-lo por vía terrestre, enquanto pelo menos 3.116 morreram afogados no Mediterrâneo.

De acordo com os mais recentes dados da Organização Internacional das Migrações (OIM), até 20 de dezembro chegaram a território espanhol 26.941 imigrantes, o equivalente a cerca do dobro dos 13.246 migrantes que cruzaram as fronteiras espanholas em 2016, revelou hoje a agência EFE.

Segundo os mesmos dados da OIM, desde 01 de janeiro de 2015 chegaram a Espanha 43.600 migrantes.

Na Europa, diminuíram as entradas de migrantes que se deslocaram em embarcações através de rotas distintas do mar Mediterrâneo: foram 181.543 em 2017, face às 387.895 de 2016.

Quanto ao aumento do número de migrantes em Espanha, as chegadas a este país ficam distantes das registadas noutros países do sul da Europa.

Na Itália, entraram pela costa 118.914 imigrantes (181.436 em 2016) e, desde 2015, este país acumula as 453.288 chegadas.

Na Grécia, que supera um milhão de chegadas em dois anos (1.066.891), registou este ano quase 34.000 entradas de migrantes no país, perante as 176.900 de 2016.

O frio não impediu novas ondas de migrantes de tentar encontrar uma nova oportunidade no continente europeu, tendo-se registado fins de semana com mais de 600 pessoas resgatadas.

Novembro foi o mês mais intenso, com 5.687 chegadas, bem acima dos 3.071 de junho ou dos 2.839 de outubro.

Esta contabilidade incluí as vítimas, mas apenas uma parte, uma vez que muitos cadáveres nunca sao localizados.

Em 2016 morreram no Mediterrâneo 5.543 migrantes, ao passo que este ano o mesmo aconteceu a 3.116 pessoas.

No entanto, a rota central, de Espanha, triplicou o número de mortes de 70 para mais de 200.

De acordo com especialistas no resgate de emigrantes, esta duplicação de chegadas de imigrantes a Espanha deve-se ao bom tempo que este ano se prolongou durante alguns meses e às incursões da guarda marroquina nos arredores das fronteiras de Ceuta e Melilha.

Ao mesmo tempo, dispararam em 34% as tentativas de assalto às cercas de Ceuta e Melilha, atingindo as 9.000 em setembro, em comparação com 613 no ano anterior.

Ainda que organizações como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados acreditem que as entradas de migrantes registadas em Espanha este ano sejam perfeitamente aceitáveis para o país, o Governou adotou medidas excecionais para fazer face à pressão migratória.

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