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sábado, 23 outubro 2021

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UE/Presidência: Rangel e Melo criticam Costa, deputados PS lamentam “pequena política”


(Lusa) – O primeiro-ministro, António Costa, foi hoje alvo de críticas por parte dos eurodeputados Paulo Rangel (PSD) e Nuno Melo (CDS-PP) no debate no Parlamento Europeu sobre a presidência portuguesa da UE, tendo os deputados socialistas lamentado “a pequena política”.

Na sua intervenção no hemiciclo de Bruxelas, o líder da delegação social-democrata desferiu diversos ‘ataques’ a Costa, criticando a gestão da pandemia da covid-19 em Portugal no natal, desafiando o primeiro-ministro a dar explicações perante a assembleia sobre a polémica em torno da nomeação do magistrado José Guerra para a Procuradoria Europeia e deplorando a acusação que o chefe de Governo lhe dirigiu de participar numa campanha internacional para denegrir a imagem externa de Portugal.

“Falando em saúde: tem algum plano para coordenar as respostas dos governos em sede de medidas de restrição? Se no natal se tivesse optado pela coordenação e se se tivesse seguido os exemplos francês, alemão e italiano, os números em Portugal não seriam tão trágicos. Agora já está disposto a apostar nesta coordenação?”, começou por questionar.

De seguida, e sobre o Fundo de Recuperação, Rangel perguntou ao primeiro-ministro o que tenciona “fazer para garantir que o dinheiro é bem aplicado” e observou de imediato que “essa é uma das funções principais da Procuradoria Europeia, combater a fraude e a corrupção de fundos europeus”, ‘recuperando’ a polémica em torno da designação do procurador José Guerra.

“Não lhe farei perguntas sobre isso, porque há um debate de urgência [no Parlamento Europeu], que, a pedido do seu Governo, foi adiado de ontem para hoje. Assim sendo, e como está cá, lanço-lhe o desafio: represente em pessoa o Conselho nesse debate. É o local próprio para se explicar”, disse.

A terminar, Rangel referiu-se à acusação que lhe foi dirigida recentemente por António Costa, quando este afirmou que o eurodeputado – assim como os sociais-democratas Miguel Poiares Maduro e Ricardo Batista Leite - está envolvido numa campanha para denegrir a imagem externa do país durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

“Finalmente, uma nota pessoal, [entre] nós, que nos conhecemos e convivemos há tantos anos, com respeito, afabilidade e sentido democrático. Está na casa da democracia europeia, de que, aliás, foi membro. Aqui, olhos nos olhos, diga-nos: acha mesmo que deputados de todos os partidos e de todos os Estados-membros alinharam numa conspiração internacional contra Portugal, o Estado e o Governo português? Tem mesmo coragem de o repetir aqui que isso foi montado, diante de todos?”, perguntou.

Rangel garantiu que “os deputados do PSD estarão sempre ao lado de Portugal e da Europa”, a começar por si próprio. “Vou trabalhar para que Portugal e o Governo português tenha sucesso. Mas vou trabalhar como sempre: sem medo de ameaças, sem medo de intimidações”, concluiu.

Imediatamente a seguir, o líder da delegação do PS ao Parlamento Europeu, Carlos Zorrinho, afirmou que é sabido, “até por experiência na política interna de Portugal, que há quem não hesite em propagar ‘inventonas’ para enfraquecer a capacidade de cumprir a missão”.

“E foi o que fez, aliás, na sua intervenção o deputado Paulo Rangel. No debate desta tarde tudo será de novo esclarecido sobre a nomeação do Procurador europeu por Portugal, e espero então que o senhor deputado tenha a humildade de pedir desculpa”, disse, referindo-se ao debate agendado para o final da tarde, no qual a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, fará uma declaração em nome do Conselho.

Também o deputado socialista Pedro Marques lamentou que “um deputado do Partido Popular Europeu” tenha optado por “desafinar do resto da câmara, nacionalizar o debate e atacar o primeiro-ministro de Portugal”.

“Registo com pesar esta escolha do PPE e do PSD, mas adiante, que este não é o tempo para a pequena política, porque a presidência portuguesa começa com grandes desafios”, disse.

A intervenção de Rangel mereceu também reparos do deputado José Gusmão, do Bloco de Esquerda. “Nós não traremos para este plenário debates nacionais, que apenas revelam a absoluta ausência de agenda, nacional e europeia, de uma direita que só se agarra a casos e não debate nem as prioridades do país nem as prioridades da Europa”, disse.

Já na parte final do debate, também Nuno Melo não ‘poupou’ António Costa, começando a sua intervenção por dizer que iria “resistir” a “comentar a nomeação de um procurador europeu com base em informações falsas, que assim compromete a credibilidade da Procuradoria no exato momento em que nasce”.

Apontando que António Costa assume a liderança da UE “num momento em que a pandemia de covid-19 mostra sinais de absoluto descontrolo”, Melo criticou então a política seguida pelo Governo em Portugal na gestão da pandemia.

“Os europeus precisam de olhar para si e confiar que estará à altura do desafio, mas infelizmente olham para o desastre que acontece em Portugal e duvidam […] O que é que pode dizer hoje aqui para tranquilizar os europeus e dizer que fará muito melhor à frente de 27 países do que está a conseguir em Portugal?” questionou.

Falando imediatamente a seguir, o eurodeputado socialista Pedro Silva Pereira considerou “lamentável que alguns, felizmente muito poucos, queiram usar o palco do Parlamento Europeu para a sua pequena guerrinha política nacional”.

Na intervenção final, Costa não respondeu às críticas de Rangel e Melo, limitando-se a apontar, a propósito da Procuradoria Europeia, que foi o seu Governo “que juntou Portugal a esse mecanismo”, pois até então “Portugal tinha-se recusado a juntar-se a esse mecanismo de cooperação reforçada”.

Menos de uma semana após ter acolhido a visita a Lisboa de uma delegação do colégio da Comissão Europeia liderada pela presidente Ursula von der Leyen, na passada sexta-feira, e de também já ter recebido o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, no lançamento da presidência, no início do mês, Costa completou assim hoje a ronda de discussões institucionais sobre o programa do semestre com o Parlamento Europeu.


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