Idealizar um projeto de vida perfeito, é um exercício que não está acessível ao ser humano, desde logo porque a incógnita quanto ao futuro mantém-se angustiantemente em cada indivíduo, por muitas capacidades, competências e tecnologias que possua, além de que, a ciência, a este respeito, também não tem condições objetivas para se pronunciar.

A pessoa humana, enquanto tal, entre outros aspetos, distingue-se do resto da natureza animal, precisamente por ter horizontes de vida, que lhe permitem projetar-se no futuro, e elaborar os respetivos planos, projetos, estratégias e esperar os resultados, igualmente calculados, para um máximo de êxito e um mínimo de insucesso. Planificar o futuro, exige muita prudência, sob pena de ter que se enfrentar situações indesejáveis e, eventualmente, dramáticas.

É fundamental saber organizar a vida com bom senso, o que implica muita preparação, tendo em conta as diversas dificuldades de implementação, e desenvolvimento do projeto de vida que se deseja, considerando que outras pessoas terão projetos idênticos, logo, concorrenciais.

Algumas regras passam por organizar a vida com prudência e bom-senso, incluir no respetivo projeto a dimensão religiosa do homem, princípios e valores em geral e, também, espirituais que: por um lado, satisfaçam as necessidades mais profundas e universais, como manter uma consciência tranquila, simples e alegre; por outro lado, contribuir para o sucesso global da pessoa, cujo aspeto principal configura uma realização sublime, ao nível da superior condição do homem, concebido à imagem e semelhança do seu Deus Criador.

O êxito construído a partir dos valores espirituais é duradouro, consolidado e único. Aparentemente, muitas pessoas se consideram de sucesso na vida profissional, com elevado estatuto sócio-financeiro, porém, é possível que não se sintam totalmente realizadas, porque lhes falta alcançar o triunfo espiritual e, na verdade: «Achamos que sucesso é o mesmo que dinheiro, segurança e prestígio. Não compreendemos que o verdadeiro sucesso está na satisfação das nossas necessidades espirituais. Poucas pessoas atingem o verdadeiro sucesso porque estão perdidas, a correr de um lado para o outro, no aeroporto do sucesso material.» (BUCKINGHAM, 1995:20).

A prudência individual, apesar de necessária para uma vida boa, pode, ainda assim, não ser suficiente, se os demais indivíduos não tiverem idêntica preocupação. Um pouco à semelhança de muitas outras situações, em que não basta o contributo de uma única pessoa, também na obtenção do sucesso é importante, se não mesmo essencial, e decisiva, a participação da família, do grupo, da comunidade e da sociedade internacional.

A pessoa humana não consegue sobreviver com dignidade e conforto, isolada dos seus semelhantes. A prudência para uma vida boa aconselha abertura a Deus, aos homens e ao mundo e, na medida do possível, com a máxima compreensão, tolerância e entrega ao outro, seu semelhante.

 Bibliografia

 BUCKINGHAM, Jamie, (1995). Força para Viver, 2ª. Ed., Espanha (S.P), Resina de Almeida

Diamantino Bártolo
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