Chegou, paulatinamente o tempo de celebrar mais um Natal! Que há muito se deseja feliz… Tempo de sabedoria e de renovação, distinta ocasião para as mais diversas atividades associativas, socioculturais, desportivas… Com visíveis sinais de festa e júbilo; ruas ornamentadas, muita música, laços coloridos, presentes e enfeites daquilo que se compra e se vende. Há brindes que se trocam, há saudações.

É Natal, a festa das famílias, tão expressiva na ternura do presépio.
Excecional momento de reflexão e de encontro, habitado pela força da esperança e da comunhão entre os povos e nações.
Que a troca dos presentes contenha o sabor da alegria profunda, da partilha e da amizade sincera.

Natal para todos, sem exceção

Anda no ar, desde há muito, um perfume de solenidade e outros símbolos que aludem a algo de muito relevante para a vida das pessoas e da sociedade em geral. Apercebemo-nos assim, da importância dos sinais, com os quais aprendemos e nos guiamos. Este cenário de cor, de luz, de música, de enfeites... Remete-nos para uma certeza que é de esperança, muito mais do que um palpite, ou uma vaga convicção! A esperança simbolizada no Natal é uma incontornável realidade, que merece ser explicada, sentida e adotada. Claro que a festa natalícia não se reduz ao aparato social, nem à roda-viva de uma desenfreada correria.

Quando aprofundamos o núcleo do mistério descobrimos então, a grandeza desta sublime dádiva à humanidade. Onde todos e cada um têm lugar reservado: o Natal de Jesus Cristo não exclui ninguém! Tal como o sol, que brilha de igual modo para todos, assim acontece com o enigmático acontecimento de Belém; que nada nem ninguém nos retire a radiosa alegria do Natal que envolve e revela: o amor, a paz e a esperança!

Um Natal diferente

Olhando à nossa volta, dizemos: nada é como dantes! De facto até o próprio clima se altera; talvez seja único observar que, na época natalícia deste ano, os termómetros poderão rondar os 15° Celsius! Crescem as preocupações sobre o aquecimento da terra. E já existem movimentos desesperados e outras vigorosas ações políticas, para abrandar o curso de uma catástrofe anunciada, sem limites; a Natureza não perdoa, sobre os abusos desta descontrolada humanidade!
Mas existem ainda outros ventos da mudança, que sopram com grande velocidade, dominantes e demolidores...

São os ventos que anunciam guerra e ódio; de pontes que caem levando com elas, vidas inocentes; de enormes barcos que rebentam em plenos oceanos, descarregando aí, produtos tóxicos portadores de poluição, desespero e morte! Catástrofes ecológicas, económicas e sociais; exploração e crime sobre crianças humildes e indefesas; descrédito dos políticos que tudo prometem e depois não cumprem; intrigas e corrupção; movimentos de protesto e greves... Assistimos, com espanto, a uma explosão de silêncios e de cumplicidades que se amontoaram no tempo e que nos deixam preocupados.

No meio de tanta confusão e alarme, surgem os media, meios de comunicação social lançando achas para uma fogueira ainda branda, de forma quase cruel e sem escrúpulos, comprazendo-se com essa golfada de fogo para os ares, sem avaliar quem poderá ser atingido; os narradores de casos e de notícias, aos magotes, deveriam ponderar e exercer, segundo a verdade e nunca sobre aquilo que parece.

É que há vítimas, há culpados e muitos telespectadores; todos atores do mesmo espetáculo mediático! Há um tecido humano que é criminoso destruir, com base em suposições; nem tudo deve servir para peças de audição e de negócio.

Face a tanto mal que nos é exibido e explorado, convém refletir, nesta quadra tão especial, no bem imenso contido nas ações de cooperação, de solidariedade e de entrega abnegada, na ação e no compromisso de tantos, que anonimamente exercem arrojadas funções de beneficência social... No nosso estranho universo racional, quantas vezes desprezamos o que poderia ter sido um caminho de encontro e de diálogo. Cada um de nós, na vida familiar ou profissional, em todas as dimensões da nossa existência deve juntar, uma pitada de amor e de generosidade.

Deve ter uma relação otimista com o seu quotidiano, manter viva a força da esperança, dando sentido, sempre renovado, à sua vida apoiando-se num ambiente de valores universais. É necessário construir uma aliança sólida com o futuro encontrar soluções generosas e fraternas. Viveremos assim, um Natal diferente, onde o ser humano se encontra, antes e acima de todas as coisas.

A esperança cristã, não é uma utopia

O estado da hodierna sociedade, não é de todo animador; mais que sintomas, assistimos a situações de grande preocupação social. Os recentes acontecimentos em França, com maior incidência em Paris, vieram comprovar que nem tudo está a correr bem! A intrépida ação reivindicativa exige, a partir de agora, uma profunda reflexão sobre as orientações políticas, que inclui maior equidade social; baixa dos impostos, criação de emprego, mais poder de compra, entre outras exigências.

A Europa precisa claramente, de uma melhor organização e capacidade de resposta, face aos movimentos emergentes e às disparidades sociais cada vez mais notórias. Por todo o lado, há homens e mulheres, de todas as idades, que carecem de saúde e educação, de instrução e trabalho, de casa e mesmo de pátria! Sentem, com frequência, estuprados os seus direitos à liberdade, à paz e até à própria vida!

A eles, a Igreja traz uma boa lufada de alento; o Espírito de Deus vence todo e qualquer desespero! Todos juntos, cada qual no seu grau de responsabilidade, com os seus direitos e deveres próprios, somos convidados a colaborar com Cristo para a redenção, a liberdade e a felicidade comum. Porque todos temos, um fundo de crença e de visão profética, tantas vezes sem nos apercebermos, a mensagem do presépio é muito oportuna, num exigente apelo à mudança, ao recolhimento e à concórdia. Estimula e alimenta a profundidade espiritual devolvendo-nos as alegrias que este mundo não sabe, nem pode dar! E que não se encontram nas luzes e enfeites, nem no ruído e apelos comerciais, nem nos excessos gastronómicos.

Mas antes no saber discernir e optar, escolher o essencial em detrimento do acessório. Para participar, só é necessário que cada um contribua com a sua capacidade de amar, disponibilizando algum do seu tempo; a esperança cristã não é uma utopia! Há sinais concretos que dão ânimo a quem já faz caminho; a confiança é também um desafio.

A Europa, a nossa aldeia comum, não pode perder o ardor que lhe infundiram as suas raízes cristãs, nem se pode deixar abater pelo cansaço. Nesse sentido, os bispos em conclave, epilogaram: “O nosso Deus é fiel. Igreja da Europa, não temas! Assume as tuas responsabilidades. Chegará o tempo em que o bem triunfará sobre o mal”. Pois que assim seja!

Aproveitando este espaço aberto e a honra de nele poder colaborar, deixo expressos os meus votos de Boas Festas; em especial para os doentes e as pessoas mais idosas. E uma calorosa saudação para os que se encontram longe das suas terras, das suas famílias, das suas origens; que as luzes e os enfeites por aí espalhados em abundância, não ofusquem aquela doce alegria, o calor e o alento da novidade do Natal, que enche por dentro a alma e nos dá o sentido da felicidade plena, numa adesão espontânea, aos valores cristãos, tão bem representados na ternura do presépio. Feliz Natal, abençoado e próspero ano de 2019.

Pub