É ponto assente, entre os estudiosos da filosofia da imprensa, que o direito à informação é fundamental numa sociedade plural e, com tal pressuposto, numa imprensa nacional é indispensável a existência de uma rede de delegados ou correspondentes em todo o pais e no estrangeiro, para que se possa ampliar a informação, não devendo, nunca, o jornalista impor a sua opinião na medida em que: se por um lado, presumivelmente, poderá desagradar ao leitor, quantas vezes tão bem, ou melhor preparado que o jornalista; por outro lado, é necessário salvaguardar o direito do leitor à boa qualidade e rigor da informação.

Não é fácil para um jornalista obter informações, tantas vezes ocultadas por razões de vária ordem, mas é fundamental não ignorar que a informação é, em determinadas circunstâncias, mais importante do que as suas próprias opiniões.

A especificidade do jornalista não reside no facto de escrever nos jornais, como não está, também, no facto de ter opiniões, nem de as exprimir, nem de modificar a sociedade mas, bem pelo contrário, a sua função social própria é transmitir comunicações úteis, é uma tarefa universalista, porquanto ele deve, desde logo, captar os rumores da sociedade, dar sentido a esses rumores, transformá-los objetiva e isentamente em informação, em notícia, porque ele deixou de ser como que um “mago que sabe tudo” para assumir o papel de especialista em comunicação, por isso, detentor de uma competência técnica nesta matéria.

Um aspeto importante é o que se prende com as facilidades que são concedidas, ou não, ao jornalista para chegar à fonte de informação. Tal obstáculo está diretamente relacionado com a natureza da notícia que pretende divulgar, o seu impacto social, económico, estratégico ou militar e, ainda, com a credibilidade informativa do Órgão de Comunicação que representa e, até ao reconhecimento público da sua própria idoneidade moral e deontológica.

Naturalmente que hoje em dia o jornalista deve ter acesso às fontes de informação, todavia, é imperativo serem sempre acautelados os factos que pelo seu melindre venham a contribuir para desinformação. O jornalista tem o direito e a obrigação de saber, contudo: saber é uma coisa; publicar é outra.

É correto pensar-se que o Poder necessita ao mesmo tempo: do segredo e da propaganda, pelo que se torna legítimo que não só os jornalistas, mas também o público, se esforcem pelo direito à informação e exijam do Órgão respetivo, transparência, rigor, oportunidade, isenção e, acima de tudo, a salvaguarda da dignidade da pessoa humana e da identidade nacional.

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