FÉ E TRADIÇÃO
Celebrações, Peregrinações, Comunhões

Estamos na recta final de um mês de Maio repleto de acontecimentos que marcam por dentro a vida das pessoas.

O inverno rude e prolongado já é passado. A Primavera aí está, com toda a Natureza a despontar para a novidade da vida nova e do abundante fruto a ela associado. Acontece assim também ao nível de quem trabalha e/ou estuda. Em Portugal, mas também no seio das Comunidades portuguesas emergem salutares actividades, que resultam de um intenso ano de trabalho. Para além das festas populares e de rua, podemos dar evidência às festas litúrgicas das peregrinações e das comunhões. Momentos marcantes de reencontro, de testemunho e de fé!

Quando um português decide emigrar, mesmo nos tempos actuais, transporta sempre consigo o condão da esperança e da fé. Recorre a qualquer tipo de ajuda. Muito mais no tempo em que não havia a facilidade das comunicações e das redes sociais. E é no seio da Igreja que encontra sempre algum reconforto. Da mesma forma se distancia dela, quando consegue vingar na vida! É nessa base de cultura e de fé que assistimos a vários momentos de celebração e festa, com características muito próprias. Daí a organização das peregrinações a santuários Marianos, em comunhão com os peregrinos de Fátima. Um pouco por toda a parte, com carisma e arte, mergulhando naquilo que nos identifica como povo de uma Nação de crentes.

Desde 1978 que na Bélgica se organiza a peregrinação “do 13 de Maio”, a Banneux, arredores de Liège. Para além do programa religioso, desponta também a animação popular e o saudável convívio entre todos, num salutar hino às nossas tradições. Este “peregrinar” tem história e significados profundos. A peregrinação faz-nos quebrar as regras do quotidiano, do nosso mundo habitual, levando-nos ao encontro de algo que reconforta e alenta. Os testemunhos vivos apontam nesse sentido, independentemente da prática religiosa. Até porque todo o homem é um ser em permanente caminhada; que o digam os compatriotas em diáspora! A Bélgica não é excepção, também na sua componente mobilizadora e de organização.

A festa das Comunhões traduz um outro relevante aspecto das celebrações solenes, com alguma incidência social. Vestem-se os mais vistosos fatos, preparam-se e confeccionam-se requintados manjares. A festa é preparada com antecedência. Formam-se grupos e programas, segundo as idades e finalidade. É cada vez mais comum verificar um assumido envolvimento integrante noutras comunidades cristãs, nomeadamente belgas. Há dias, numa igreja belga ouvia-se falar português numa celebração multicultural! Eram várias famílias portuguesas no acompanhamento e formação dos filhos. O mesmo acontece noutras localidades da Bélgica, com destaque para Antuérpia e Liège. Já lá vai o tempo da exigência do padre português e da língua materna para a prática religiosa e de afirmação na fé.

A tendência aponta no sentido da participação colectiva e integrada. Tal como acontece na escola e no sector laboral. A evolução é notória, também devido à falta de agentes pastorais qualificados. Não deixa de ser sintomático o facto evidente da falta de vocações religiosas no âmbito da mobilidade humana e diáspora portuguesa! Acentua-se a crise, também no aspecto de assistência religiosa, incluindo as comunidades locais! A festa, com pompa e circunstância das comunhões, poderia ser o pretexto ideal para relançar aprofundada reflexão sobre a temática das vocações religiosas e de assistência pastoral. Um debate necessário e urgente. A Igreja continua aquém das expectativas, num manifesto atraso, que interpela e apoquenta. A passividade é evidente, o que explica, em boa medida, a baixa taxa da prática religiosa.
Num contexto de busca e interrogações, é de realçar o fenómeno da dispersão e desinteresse... Logo após os sacramentos “exigidos”, os jovens dispersam-se, desaparecem, desligam-se de uma Igreja que pouco lhes diz; demasiado tradicional, cadenciada por ritos, em detrimento de uma pastoral dinâmica, de partilha e assimilação dos valores que lhe estão subjacentes. Uma Igreja "demasiado virada para o aspecto económico em detrimento da pastoral"!


A catequese, que para muitos “é uma seca” vai envolvendo os pais, os padrinhos, a família e amigos; num misto de fé e tradição. Mesmo assim constitui um farol de unidade e alguma esperança! Uma actividade em movimento, que participa e reune. É transitória e efémera, o que deixa sempre o trago amargo da decepção. No acompanhamento e organização encontram-se sempre as catequistas, que voluntariamente se dedicam a cumprir horários e programas de catequese. Muita entrega e dedicação, sem nada esperar a não ser, o reconhecimento e a alegria de cumprir, com êxito, a missão de ensinar. Por isso é de enaltecer a vontade e a intenção com que o fazem!

Pub