Muito se fala em Portugal mas poucos se referem aos emigrantes como portugueses. Vão para a França, são franceses; vão para a Suíça, são suíços; vão para a Bélgica, são belgas quando cá chegam.

Também há quem diga que o emigrante é rico, tem um bmw ou outra marca “cara” e leva uma vida de luxo, como se ele tivesse obrigação de incorporar esse status e possuir esses bens. Não sei onde foram buscar esta representação tão generalizada! Há quem ganhe muito mas também gaste em igual proporção porque o custo de vida de alguns países é elevado comparativamente ao nosso, há outros que querem viver e não enriquecer, e há ainda quem consiga ganhar dinheiro suficiente que lhes permita investi-lo.

Independentemente destes estereótipos e opções de vida: são portugueses. Nada mudou por estarem a quilómetros de distância do seu país, a lutarem por melhores condições de vida para poderem olhar o futuro com mais esperança. Mas há um sentimento que cresce, cada vez mais, a saudade. A saudade é muito nossa porque não tem tradução para mais língua nenhuma. Só nós sabemos o que significa e como é senti-la.

Não imagino o que seja acordar e deitar num lugar que não é aquele que me viu crescer e ambicionar todos os dias voltar (ou não). Há quem tente apaziguar esta saudade recriando pequenos Portugalinhos no país onde estão, formando uma comunidade coesa em torno de costumes e tradições. Seja pela religião, pelo folclore, pelas festas típicas, pela reprodução da língua ou dos nossos paladares tão característicos.

Não pedem muito, só um bocadinho do seu país. Nós somos uns sortudos porque temos tudo por garantido e não valorizamos as relíquias que temos tão perto de nós.
É pena que só se fale dos emigrantes quando a seleção joga ou quando há algum escândalo associado a eles. É preciso começar a pensar fora da caixa e começar a incluí-los em tudo.

Termino com uma passagem de uma conversa que tive e me deixou a pensar. Perguntavam a alguém que vive nos Estados Unidos: “Então, como é a vida de emigrante?”

Ao que ele respondeu: "Não sou emigrante. Sou apenas um português a residir no estrangeiro.”

Efetivamente, o espírito português transcende qualquer distância física.

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Paula Moreira
Colaboradora / Correspondente
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