Concluído que está mais um ano, extremamente difícil, mas que, desejavelmente, poderá vir a fechar um ciclo de alguns anos de imensos sacrifícios, injustiças, incompreensões, ilegitimidades, designadamente nos domínios político-social, económico-financeiro e laboral que, de forma intensa, atingiu os portugueses em geral e, principalmente, os mais vulneráveis: desempregados, idosos, pensionistas e reformados, trabalhadores dos diferentes setores de atividade económica: sejam independentes, sejam por conta de outrem.

Na verdade, durante cerca de mais de cinco anos, todos sentiram a “mão de ferro” de uma austeridade imerecida e brutal, que não seria necessária, que não tinha de ser assim, que não atingiu na mesma proporção pessoas, grupos e organizações e, tudo isto, ao serviço de interesses alheios aos direitos dos mais desfavorecidos que, indefesos, sem poder de reivindicação, sofreram na pele as injustiças impostas, afinal, por quem estava bem na vida.

Com efeito, foram quase seis anos de sofrimento, de perdas de direitos adquiridos, porque contratualizados de boa-fé, seja com entidades privadas, seja com o próprio Estado, este, sabe-se bem, não terá honrado os compromissos assumidos, designadamente com os seus servidores e, dentro destes, com os mais vulneráveis, que já não podem defender-se, na medida em que os principais instrumentos de reivindicação, tais como as greves de nada lhes serve, estão à mercê de um Estado que não é totalmente sensível aos dramas sociais e muito menos para com aqueles que o servem atualmente.

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Durante a quadra natalícia, que decorreu recentemente, ouviram-se muitas mensagens de esperança, muitas alusões a dias melhores, estatísticas favoráveis no sentido de que os principais indicadores económicos estão a melhorar, a dar sinais de uma lenta, mas consolidada recuperação, apontando-se para o vislumbre de uma “luzinha ao fundo do túnel”, como, ao que afirmam, não se via há muito tempo. É saudável dar-se o benefício da dúvida e fazer-se um esforço generoso, para se acreditar, de que realmente, a situação vai melhorar.

Pensar-se que é tempo de “arrepiar caminho”, em relação a diversas medidas, num passado ainda recente insinuadas, de mais austeridade, é uma atitude correta, na medida em que não podem ser sempre os mesmos a pagar as faturas dos descalabros de quem tem responsabilidades na gestão dos recursos nacionais. É tempo, a partir de agora, de serem outros a suportar o pesado fardo de uma carga brutal de impostos, taxas, derramas e todos os outros instrumentos que, afinal, não passam de processos injustos, de retirada de rendimentos às famílias.

Afirmar-se que se deve fazer um balanço sério, do que ao longo destes anos, compreendidos entre 2011 e 2015 foi feito contra a maioria das pessoas, não é exigir nada que possa ofender quem quer que seja, mas apenas pretender-se dar um contributo para que haja mais equidade, mais proporcionalidade, mais equilíbrio entre pessoas que devem ser todas consideradas de uma só categoria: portuguesas, não de primeira, de segunda ou terceira, mas apenas, portuguesas.

O novo ano que agora se inicia já vem “pré-prestigiado” como podendo vir a ser o início da “independência económica”, das retomas mais acentuadas, uma espécie de “liberdade condicional” (financeira), mas que, por isso mesmo, ainda se enfrentará vários obstáculos que todos temos de vencer, sabendo-se, contudo, que ninguém vence o que quer que seja, sem saúde, sem trabalho, sem educação/formação, sem poder de compra, porque é pela riqueza que se promove o consumo, que tudo funciona e se desenvolve positivamente e jamais pelo empobrecimento das pessoas, do país e das nações. A lógica que então foi seguida, não parece ter sido adequada ao progresso sustentado.

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Apesar das tremendas dificuldades sentidas durante os últimos anos, pese, embora, fazer-se passar a mensagem de que certos sacrifícios, perdas de direitos e imposição de medidas injustas, ilegítimas e, eventualmente, ilegais, se não fossem previamente analisadas, seriam necessárias para se ultrapassar uma alegada situação económica muito complicada, de que a esmagadora maioria do povo não é responsável, é tempo de se inverter a irracionalidade e injustiça seguidas, e adotar políticas verdadeiramente humanistas, socialmente compatíveis com a dignidade humana a que todos temos direito.

Vamos, portanto, iniciar mais um ano imbuídos de um novo espírito, no sentido de acreditarmos que, finalmente, será possível restituir tudo o que, sob a capa de uma austeridade, dita necessária, nos foi retirado num período de verdadeiras irracionalidades, porque a “receita” aplicada falhou, na medida em que não é pelo caminho da miséria, do desemprego, da retirada de direitos adquiridos e da redução drástica do poder de compra, que se vai dinamizar a economia, o consumo, o investimento e a atração de novos empreendedores.

É muito difícil aceitar-se participar em “desafios” lançados por pessoas e/ou entidades responsáveis, quando os direitos essenciais para os enfrentar e vencer nos são retirados e/ou reduzidos, designadamente, aqueles que dependem dos decisores, destacando-se, objetivamente cinco desses direitos: a) saúde; b) trabalho; c) educação/formação; d) salários/reformas; e) poder de compra, já que muitos outros não dependem, exclusivamente, dos poderes legitimamente constituídos, por isso, a esperança de que repostos todos os direitos,  será este o caminho que nos deve animar e assim apoiarmos todos os projetos, enfrentarmos os desafios que promovam e consolidem aqueles cinco instrumentos, para o desenvolvimento e bem-estar de toda uma população.

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Todo o mundo sabe que os portugueses, ao longo da sua quase milenar História, deram provas de inteligência e coragem, para vencer em todos os domínios das atividades humanas. Possuímos uma das melhores “mão-de-obra” do mundo, um grande espírito de abnegação, uma indiscutível capacidade de adaptação às mais diferentes e até hostis situações. Temos “massa cinzenta” espalhada por todo o mundo, e também dentro de portas. Somos os melhores de entre os melhores. Precisamos, apenas, dos recursos materiais: financeiros, técnicos, infraestruturas, entre outros.

Finalmente, de forma totalmente pessoal, sincera e muito sentida, desejo a todas as pessoas que, verdadeiramente, com solidariedade, amizade, lealdade e cumplicidade me têm acompanhado, através dos meus escritos um próspero Ano Novo e que 2018 e muitas dezenas de anos que se seguem, lhes proporcionem o que de melhor possa existir, e que na minha perspetiva são: Saúde, Trabalho, Amizade/Amor, Felicidade, Justiça, Paz e a Graça Divina. A todas estas pessoas aqui fica, publicamente e sem reservas, a minha imensa GRATIDÃO.  

Diamantino Bártolo
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