(Lusa) - A economia timorense começa a dar sinais de retoma nos gastos públicos, após 18 meses de contração em que empresários delapidaram depósitos e recorreram a empréstimos, disse hoje o responsável do banco australiano ANZ em Díli.

Ao intervir num debate económico em Díli, Andrew Young disse que há sinais nas contas dos seus clientes de que "o dinheiro público começa a fluir", ainda que demore "alguns meses" até que o impacto se faça sentir em setores como o do retalho, dos mais afetados na atual situação económica.

Young sublinhou que os clientes do banco reportaram quedas de consumo de 15%, especialmente entre grossistas e no retalho, que "tiveram que lutar muito nos últimos 18 meses devido à redução dos gastos públicos". O setor da construção foi outro dos mais afetados.

Isso levou a uma queda de depósitos de 15% - com empresários e cidadãos a recorrerem a poupanças para manter empresas e famílias - e a um aumento nos empréstimos.

Empresários ouvidos pela Lusa admitiram ter de recorrer ao crédito para financiar as suas empresas enquanto, em muitos casos, esperam ou o pagamento de dívidas do Estado em atraso ou o arranque de novos projetos.

Young não referiu esta questão, comentando apenas o que disse ser a "resiliência" de muitos dos empresários, especialmente timorenses, que tiveram poupanças para aguentar o embate económico.

Os comentários de Young foram feitos num debate organizado pelo Banco Mundial por ocasião da apresentação de um relatório sobre a economia timorense, hoje, em Díli.

Intervindo no mesmo encontro, Roy Trivedi, responsável das Nações Unidas em Timor-Leste, defendeu a necessidade de uma "estratégia urgente para o setor do café", o único produto não petrolífero exportado pelo país.

Outra questão é a necessidade de perceber a dinâmica das crescentes remessas enviadas por emigrantes timorenses em vários países e que são, para muitas famílias, a única ou a principal fonte de rendimento, e a forma como podem ser canalizadas para fortalecer a economia, disse.

Trivedi referiu-se, ainda, à necessidade de ter mais informação sobre o que é o projeto de maior custo para o país, nomeadamente o desenvolvimento e exploração dos poços de Greater Sunrise e do gasoduto e refinaria na costa sul.

"Precisamos de ter uma boa análise para ver quanto emprego é que o projeto vai gerar, para quem o vai gerar e como recuperar o investimento que está a ser feito", disse.

O responsável da ONU deu como exemplo o que ocorreu com o gasoduto para Darwin - onde o investimento de 50 mil milhões de dólares gerou 10 mil empregos na fase de construção - com apenas 420 pessoas a trabalhar agora.

Charles Scheiner, da organização La'o Hamutuk, também reiterou a sua preocupação sobre o projeto que delapidará o Fundo Petrolífero do país "muito mais rápido do que o inicialmente previsto", podendo custar mais de 10 mil milhões de dólares.

Scheiner disse que falta informação, mas que parece haver uma vontade de "falir a nação".

Em resposta, Helder Lopes, que foi indigitado para ministro das Finanças do atual Governo mas nunca chegou a tomar posse, disse que parte da informação continua a ser "confidencial", mas que grande parte será dada a conhecer ao público num encontro em Díli a 08 de dezembro.

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