De tudo o que por aí se disse e escreveu, há muita falta de conhecimento sobre o que se opina, e, assim sendo acabam dizendo ou escrevendo muita coisa, mas que não correspondem à verdade.

A CGD tem 142 anos, é uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, sendo portanto seu único acionista o Estado. Ao longo da sua vida a CGD gerou milhares de milhões de lucros que foram passiveis de IRC entregando-os, os lucros e os impostos ao Estado este como seu único acionista e o imposto devido receita do OE, contribuindo assim duplamente para as contas públicas, para além de ter contribuído de forma ativa na Economia que foi financiando até sendo pioneira em alguns tipos de apoio à Agricultura e Pesca e no Crédito à Habitação a particulares. Sempre que a CGD viu o seu capital social aumentado, quer pela necessidade de o ir adequando ao seu volume de negócio, quer acompanhando os aumentos de capital dos Bancos concorrentes, foram sempre operação de transferência entre ativos do Estado, isto é aumenta o seu peso como acionista na CGD, por contrapartida de fundos do Tesouro, sendo ambos ativos do mesmo Estado e portanto não alterando quantitativamente o seu valor.

Exemplo: Tenho 500.000 € em depósitos de seguida compro por 100.000€ uma participação numa sociedade anónima. O meu património continua a ser de 500.000€ apenas agora constituído por 100,000€ da participação do capital social e 400.000€ em depósitos. Acresce ainda dizer que os colaboradores da CGD com os seus salários e regalias contemplados em Acordo de Empresa, aceites pelas partes, não pesam um cêntimo no OE do Estado, são fruto do seu trabalho e esforço. Se nos últimos anos gerou prejuízos, é preciso esclarecer que aconteceram por duas razões fundamentais. A situação de pré bancarrota a que Portugal chegou em 2011, fruto de uma governação socialista do PS, que teve entre outras consequências o forte aumento do desemprego, e a falência de empresas, o que fez obviamente aumentar os prejuízos, por outro lado e já é publico, que há um conjunto de créditos de valores muito elevados, concedidos no período de 2005 a 2008, que esses sim, tiveram um peso extraordinário nesses prejuízos. Uma Comissão de Inquérito da AR tentou clarificar todo o assunto, mas as esquerdas unidas, PS, PCP e BE deram por finda a referida comissão, antes de estar esclarecida toda a situação. Porque tem receio as esquerdas que se saiba, quem concedeu, em que circunstâncias, quando e porquê foram concedidos os créditos, que se revelaram ruinosos ?. Porque razão António Costa anunciou em Março de 2016 a necessidade urgente de recapitalização da CGD e depois demorou mais de ano a fazê-lo ? Onde estava a urgência ? O que originou, foi ter deixado a Caixa a torrar em lume brando na opinião pública, causando graves prejuízos de imagem. Depois nomeou António Domingues para Presidente do CA e fez-lhe promessas ilegais que não poderia cumprir, tais como a isenção de apresentação de declaração e rendimentos e de património e que culminou com a sua demissão. E voltou a ter a Caixa envolta em nova polémica.

Em relação às condições dos trabalhadores, resultam de um Acordo de Empresa negociado e aceite pelas partes contratantes. Até parece que nas outras empresas os trabalhadores não tem condições de algum favorecimento no acesso aos bens que a empresa comercializa. Na EDP os trabalhadores tem a energia elétrica mais barata, na Petrogal os trabalhadores tem combustíveis mais baratos, na PT os trabalhadores as comunicações mais baratas.Pois na Caixa o negócio é dinheiro e tem os seus trabalhadores melhores condições de preço no acesso ao crédito. Tudo o que recebem da Caixa, se deve ao seu trabalho e empenho, não pesando um cêntimo que seja ao Orçamento Geral do Estado. Esta fúria de nivelar por baixo, é bem típica das esquerdas totalitárias e radicais cujo vírus afetou gravemente o PS cuja inveja é também típica destas situações.

Para total esclarecimento sobre a forma como foi gerida, e a razão que levou a CGD aos avultados prejuízos dos últimos anos, seria necessário, prosseguir os trabalhos da Comissão de Inquérito na AR, de modo a que fique clara a razão da situação a que a Caixa chegou, que origina que de momento viva um processo semelhante ao que o país viveu, durante o programa de assistência económica e financeira, vulgo TROIKA, e com os seus colaboradores a serem tratados como se tivessem alguma responsabilidade nessa situação.

Rogério Pires
Colaborador Convidado
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