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Covid-19: Luxemburgo pede a imigrantes lusófonos que "permaneçam vigilantes"

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(Lusa) - A ministra da Saúde do Luxemburgo apelou hoje aos imigrantes portugueses e cabo-verdianos que “permanecem vigilantes” e mantenham o distanciamento social para evitar o contágio por covid-19.

A ministra Paulete Lenert, que na sexta-feira contactou o embaixador de Portugal no Luxemburgo, António Gamito, com o objetivo de fazer uma “chamada de atenção” para “a maior comunidade estrangeira no país”, recusou no entanto que haja mais casos entre os imigrantes que falam português.

A responsável da tutela da Saúde falava hoje numa conferência de imprensa em que participaram também os embaixadores de Portugal e Cabo Verde no Luxemburgo.

“Não fizemos estatísticas em função da nacionalidade”, disse a ministra, sublinhando que o Luxemburgo "é um país multicultural" e recusando que haja mais casos entre estas comunidades.

O apelo à comunidade portuguesa e cabo-verdiana no Luxemburgo surge depois de um aumento do número de casos nas últimas semanas, após uma festa privada que reuniu entre 50 a 100 pessoas, em 12 de junho, ter dado origem a um foco de infeção com 24 contágios.

“Não queremos estigmatizar”, disse a ministra, recordando que “há festas um pouco por todo o lado”, incluindo “entre a comunidade lusófona”, e recusando que haja um número desproporcionado de infeções entre estes imigrantes.

À Lusa, à margem da conferência, fonte do Ministério da Saúde também recusou que a festa que deu origem a um novo surto, em 12 de junho, estivesse relacionado com imigrantes que falam português.

“É um problema geral”, disse a ministra, apontando que o aumento de casos se deve ao desconfinamento. “Mesmo se há um regresso à normalidade, é preciso respeitar as regras e continuar a sensibilizar as pessoas”, apelou.

Questionada sobre se aconselha que os imigrantes portugueses e lusófonos regressem aos seus países durante as férias, a ministra disse que é uma decisão que cabe a cada um: “Cada um deve avaliar por si o risco que toma, mas o vírus continua”, alertou a governante, sublinhando uma vez mais a importância de observar as regras de higiene e de distanciamento social.

“As pessoas podem ir a países com menos cuidados, e é ainda mais importante redobrar a vigilância e manter a mesma disciplina”, apelou.

O embaixador de Portugal no Luxemburgo também recomendou cuidados: “O que eu diria às pessoas que vão partir de férias é que, em todo o momento, na sua casa, na viagem, no destino, mantenham o distanciamento social, usem a máscara e façam as higienização das mãos com regularidade, porque está provado que são as três medidas mais eficazes para combater a doença”.

O diplomata recomendou igualmente moderação em encontros com muitas pessoas.

“Vamos à place d’Armes [praça no centro da capital] e temos jovens a beber cerveja, em pé, sem máscara. Isto não pode ser, as pessoas têm de ser servidas sentadas”, apontou, acrescentando que “não é normal que as pessoas convidem 20 ou 30 pessoas para sua casa e baixem a guarda à covid-19”.

O embaixador salientou que “são exatamente as mesmas regras que Portugal aplica”.

“Podemos ir de férias, mas a responsabilidade é nossa”, acrescentou o embaixador de Cabo Verde, Carlos Semedo, apelando a que os imigrantes cumpram “escrupulosamente as regras de higiene”.

“Queremos que a comunidade lusófona no Luxemburgo seja conhecida pelas boas razões”, defendeu o diplomata.

Carlos Semedo deixou um apelo: “Temos de reaprender a viver com o novo coronavírus e abraçar novos comportamentos e novas rotinas”, sublinhando a importância de respeitar “as indicações das autoridades de Saúde”.

O diretor da Saúde do Luxemburgo, Jean-Claude Schmit, apelou também “a todas as pessoas que apresentem sintomas que contactem os serviços de saúde e procedam rapidamente a um teste de despistagem”.

Desde o início da pandemia, o Luxemburgo registou 4.522 casos e 110 mortes.

Segundo os dados mais recentes, o país registou 46 novas infeções no domingo, com mais 321 pessoas infetadas desde 14 de junho, contra apenas 31 até essa data.

No Luxemburgo vivem cerca de 95 mil portugueses, segundo dados do Statec, o gabinete de estatísticas do Grão-Ducado.

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