(Lusa) - O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas reconheceu o “invulgar espírito de missão” do fotógrafo Gérald Bloncourt, que imortalizou em fotografia a emigração portuguesa em França nos anos 1960 e 1970, nos bairros de lata, falecido hoje.

“Com o falecimento do fotógrafo, artista e escritor Gérald Bloncourt, perde-se uma das maiores testemunhas da história da emigração portuguesa do século XX, em particular do fluxo migratório para França”, destaca a mensagem de condolências do secretário de Estado, José Luís Carneiro.

A mensagem enviada à Lusa acrescenta que o percurso de vida de Bloncourt, nascido no Haiti e radicado em França, “traduz um invulgar espírito de missão, patente no modo apaixonado como registou, através da fotografia, o quotidiano das comunidades portuguesas que viviam em duras condições a experiência da emigração”.

A morte do fotógrafo, aos 92 anos, foi confirmada hoje à Lusa por fonte da família de Gérald Bloncourt.

O fotojornalista retratou os "bidonville" portugueses, mas também fez imagens da viagem clandestina - "a salto" - para França, assim como imagens de Portugal sob a ditadura e no período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.

Gérald Bloncourt foi condecorado com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreram entre 10 e 12 de junho de 2016.

A mensagem do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas recorda que Gérald Bloncourt “colocou-se no lugar dos que partiam em busca de liberdade e de uma vida melhor”.

“Acompanhou os portugueses e colocou, até, a sua segurança em risco, nomeadamente quando registou a emigração a salto nas fronteiras portuguesas”, refere a nota.

As suas fotografias integraram várias exposições em Portugal e França, nomeadamente no Museu Berardo, em Lisboa, em 2008, na mostra intitulada "Por uma vida melhor" e fazem parte dos arquivos da Cité nationale de l'histoire de l'immigration, em Paris, e do Museu das Migrações e das Comunidades de Fafe.

Gérald Bloncourt nasceu em 1926, no Haiti, de onde foi expulso no final da década de 1940 por razões políticas e passou a residir em Paris, onde iniciou uma carreira de fotojornalista que o levou ao encontro dos portugueses nos anos 60 nos bairros de lata dos subúrbios da capital francesa.

Gérald Bloncourt era também pintor e poeta, tendo participado na criação do Centro de Arte Haitiana (1944) e publicado vários livros.

O funeral está previsto para 05 de novembro, a partir das 14:30 locais (menos uma hora em lisboa), no cemitério Père Lachaise, em Paris.

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