HOMENAGEM AO FOLCLORE, TRADIÇÕES, ETNOGRAFIA, USOS E COSTUMES

O Centro Lumen em Ixelles, voltou a ser o palco ideal para mais um grande encontro de folclore, tradições, etnografia, usos e costumes. Local emblemático, diz muito à comunidade portuguesa na Bélgica, que já recebeu, nos últimos 30 anos, inúmeras manifestações prazenteiras; dos festivais de folclore, das festas de catequese, dos encontros com o teatro, das conferências e debate, dos movimentos de formação. Foi também ali que se celebraram as Bodas de Prata da Comunidade de Emaús, decorria o ano de 1995 com sala cheia, memorável momento ternamente acarinhado por tanta gente! É de facto um espaço “quase nosso”, também pela proximidade com a Place Eugène Flagey, do comércio e da gastronomia, do movimento associativo, da arte e da cultura, ou não fosse ali por perto que se ergueu o nome e a imagem de Fernando Pessoa, com quem orgulhosamente nos identificamos; para nós portugueses, todos os símbolos e referências contam.

E foi na base de todo este legado histórico e de vivência lusa, que se levou a cabo, no passado dia 3 de Março, o 4° Festival Lusófono de Folclore, uma iniciativa do Grupo Etnográfico “O Ribatejo”, de Bruxelas, que desejou as boas vindas aos grupos convidados de outras paragens da Europa. Com destaque para o Grupo de Casa do Povo de Aveiras de Cima, vindo directamente de Portugal. E ao qual se juntaram na deslocação, mais dois bonitos Ranchos Folclórios: o Grupo Folclórico da Casa de Santa Marta de Portuzelo da região de Paris e Rancho Folclórico Juventude Portuguesa de Dudelange, vindo do Luxemburgo.

O Grupo anfitrião, depois das saudações e agradecimentos, fez a sua actuação muito do agrado do público presente. Numa rica representação daquela região do Ribatejo, com melodias e danças de encantar, arrebatando da assistência preciosos aplausos! De manifesto agrado foi a encenação em palco do Ciclo do pão, o alimento de base das famílias. Com algum bom humor, mas sobretudo com a mensagem da importância dos bens da terra, com mais incidência naquele alimento essencial, imprescindível na mesa de pobres e ricos!
Seguiu-se a exibição dos três grupos convidados, cada um representando a região de Portugal a que estão ligados.

E só ganhou quem presenciou tão exímias danças e cantares, riqueza profunda do nosso povo, da nossa história e tradições. Grande momento, também nos aplausos, sinal de reconhecimento e incentivo, aos grupos participantes, que também levaram boas recordações. Este intercâmbio entre os grupos, permite reforçar os laços de amizade e de cooperação. Criam-se novas formas de estar e viver, também pelo exemplo e pela entrega a este género de causas, que como sabemos assenta na boa vontade e na paixão pelo que somos e temos, através da música popular e da dança.

Estão de parabéns todos quantos se empenharam na organização de tão prestigiante encontro de folclore! Da mais pequena tarefa, ao mais elevado cargo de responsabilidade. Estes eventos dão imenso trabalho... E foi-nos dada a conhecer uma grande capacidade de organização e de coordenar sensibilidades! Sem citar nomes, porque já sabemos quem vai dando a cara e pedaços de própria vida por estas causas, fica aqui o registo do apreço e do reconhecimento, que julgo seja geral. Ficamos assim, mais enriquecidos. Foi honrada a nossa cultura e a nossa história comum, através do folclore, na Capital da Europa! Bem-haja.

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António Fernandes
Colaborador
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