Fomos informados do falecimento da D. Emília Garcia, pessoa bem conhecida da comunidade portuguesa na Bélgica e não só, e que eu e a minha família, conhecemos há 25 anos como vizinhos e amigos. Quero em meu nome, da minha família e da Luso produções apresentar os nossos mais sinceros pêsames.

A D. Emilia chegou a Bruxelas com o seu marido, e dedicou toda a sua vida ao trabalho e à família. Ficaremos para sempre com a recordação de uma pessoa alegre, sorridente e disponível, sempre com um bom dia e uma palavra simpática para cada cliente da Confeitaria que ajudou a erguer. Foram mais de 30 anos de uma vida de trabalho, para a qual infelizmente vai faltar a merecida reforma.

A D. Emília Garcia era natural de Lavre, concelho de Montemor o Novo. Para muitos de nós, Lavre é a terra imortalizada pelo escritor José Saramago, prémio Nobel da literatura. Para ela era a sua aldeia de casa branquinha à beira do monte. Cresceu na aldeia, e ainda criança viu um rapazito sentado em frente da sua porta, com cara de reguila, e decidiu que seria o amor da sua vida. Ninguém a levou a sério quando informou a família que se ia casar com ele. O rapazinho, o nosso conhecido Rui, bem tentou escapar, veio para a Bélgica mas ela veio atrás dele. A porta também veio, está na pastelaria, para nunca esquecerem de onde vieram e que há sempre uma porta a passar para o regresso. Há amores que duram uma vida.

Mais tempo duraria, não fosse para tão grande amor tão curta a vida. Construíram uma pastelaria que só se podia chamar Garcia e se tornou, na cidade de Bruxelas, um ponto de referência para todos os portugueses e não só. Foram pioneiros do cluster da nata; são embaixadores de Portugal e do Alentejo na capital da Europa. A vida da D. Emilia foi sempre de trabalho intenso, com uma paragem breve de férias, em Agosto, em Portugal porque todos os caminhos iam dar a Lavre.

Desta vez o regresso é sem retorno, volta à terra onde conheceu o menino Rui e como canta a Maria Albertina na sua Ode ao Emigrante " Longe dos seus, Vai vivendo a recordar, Tem fé em Deus Que um dia há-de voltar. Há no seu crer, Um só desejo afinal, Poder morrer Na sua terra natal”. Deus escreve direito por linhas tortas; mas é difícil de aceitar que o eterno descanso, chegue tão cedo para quem nunca descansou. Da D. Emilia ficam memórias e boas recordações, para a sua família e amigos fica essa bem portuguesa saudade, eterna saudade.

O funeral vai realizar-se sábado 12, às 16:30h em Lavre (Igreja das Almas)