Militares portugueses preparados para "os piores cenários" no Afeganistão - CEMGFA

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(Lusa) – O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro, destacou hoje a imprevisibilidade do teatro de operações do Afeganistão, frisando que os militares portugueses foram preparados “para os piores cenários”.

“Num ambiente urbano em que não se consegue distinguir os insurgentes de quem são os cidadãos normais o risco é elevadíssimo porque a imprevisibilidade é total”, sublinhou, acrescentando que são também portugueses os militares que fazem a proteção da equipa de formadores que diariamente percorre, por terra, a distância entre o aeroporto e a escola de artilharia de Cabul.

Em declarações à Lusa na base militar do aeroporto Hamid Karzai, em Cabul, onde realiza uma visita ao contingente português na missão da NATO no Afeganistão, o almirante Silva Ribeiro frisou que as características da missão obrigam a um “treino muito rigoroso” para “um extraordinário desempenho” que afirmou ser reconhecido internacionalmente.

O CEMGFA integrou a comitiva do primeiro-ministro, António Costa, na sua primeira visita aos militares portugueses na missão da NATO no Afeganistão, com o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho.

“Nós, quando preparamos os militares portugueses, preparamos para os piores cenários”, disse, precisando que no caso concreto da força que “está em missões mais arriscadas”, que é a proteção da parte norte do HKIA, tem “um treino operacional muito intenso” mas também “o melhor equipamento para cumprir a sua missão”.

Quanto ao equipamento, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, adiantou à Lusa que o contingente que vier render o atual, previsivelmente em março do próximo ano, já contará com o novo sistema de proteção individual, “mais ligeiro e melhor”.

“Bem mais ligeiros e resistentes”, os coletes de proteção anti balística e os capacetes são fabricados em Portugal e integram o “sistema de proteção individual” do soldado, estando a ser testados pelo contingente militar que está no Iraque.

“São mais caros mas temos dinheiro para isso, exatamente porque o recurso mais importante é o militar”, disse João Gomes Cravinho, registando que o colete de proteção balística que a comitiva teve de usar no trajeto de helicóptero para o quartel-general da Resolut Support, pesava “10,5 quilos” e restringia os movimentos.

Para a 1.ºcabo Ana Cristóvão, de 23 anos, “se a instrução é dura, o combate é fácil” e por isso, quando chegou a Cabul, há cerca de um mês, pensou que “ia ser mais difícil”.

Responsável pelo controlo de acessos no aeroporto, já enfrentou pelo menos uma situação que obrigou a medidas de segurança excecionais, que pôs em prática “de acordo com o previsto” e “muito treinado”.

Sem referir a situação em concreto – uma explosão há uma semana próximo da base provocou feridos entre afegãos – a militar diz que “há uma primeira vez para tudo” e está devidamente “preparada para passar o Natal longe da família”.

A mais de sete mil quilómetros de distância de casa, o oficial de ligação entre a força de reação rápida portuguesa e o comando da base do aeroporto HKIA, o capitão de cavalaria João Santos, com 30 anos, considerou que a participação numa missão internacional “é sempre uma realização profissional”.

Passar o Natal longe da família “não é a primeira vez” e é “uma situação difícil” que os militares aceitam por saberem que faz parte “da condição de militar e do que a profissão obriga”.

Quanto têm algum tempo disponível, os militares têm uma tenda para praticar desporto , desde o “fitness e musculação” , “artes marciais” e “vários jogos” e usam a internet para poder comunicar com a família.

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