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“Aristides de Sousa Mendes – Memórias de um Neto”

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António Moncada de Sousa Mendes apresentou a obra “Aristides de Sousa Mendes – Memórias de um Neto”

Apesar da neve que caía em Bruxelas, foram muitas as pessoas que quiseram estar presentes, na livraria Filigranes, para ouvirem o testemunho pessoal do neto de uma das personalidades portuguesas mais importantes do século XX.

Esta foi uma ocasião mais do que especial porque, ao mesmo tempo que foi lançada em Portugal a obra “Aristides de Sousa Mendes – Memórias de um neto”, a Unesco inscreveu o Livro de Vistos de Aristides de Sousa Mendes na Memória do Mundo.

Este legado de coragem e nobreza que constituía até agora motivo de orgulho e de inspiração para todos os portugueses, é já não só um exemplo para Portugal, mas um exemplo que o mundo não pode e não vai esquecer porque a sua memória estará para sempre preservada.

A história do Cônsul Aristides de Sousa Mendes (que foi Cônsul Geral de Portugal em Antuérpia, entre 1929 e 1938, acreditado também no Grão-Ducado do Luxemburgo) e de como desafiou as ordens de Salazar para salvar as vidas de 30.000 refugiados durante a II Guerra Mundial, o seu percurso corajoso e nobre é quase uma missão de vida para o seu neto. Mais do que o esclarecimento dos factos históricos, o que António Moncada de Sousa Mendes sentiu necessidade de contar foi o contexto familiar, ético e moral de uma família para quem os valores humanistas se sobrepuseram a tudo o resto.

Na plateia, encontravam-se dois descendentes de uma família belga salva por Aristides de Sousa Mendes. Traziam consigo cópia do passaporte, com visto emitido em Bayonne, em 1940, e assinatura do Cônsul português. Fizeram questão de manifestar publicamente a sua gratidão e a dádiva de vida que representou, para a família, o gesto do diplomata português. Gesto que lhe custou a exoneração do cargo, que o obrigou a viver os últimos anos da sua vida como um refugiado no seu próprio país, doente, triste, isolado e na miséria.

Em 1966, o Estado de Israel atribui-lhe, postumamente, o título oficial de “Justo Entre as Nações”, simbolicamente representado na medalha com a inscrição do Talmude “Quem salva uma vida salva o mundo inteiro”.

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