A História da Língua Portuguesa

ID:N°/ Artigo: 2529
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Houve sala cheia no passado dia 10 de Novembro, no Institut Saint Jean-Baptiste de La Salle, em Saint-Gilles. Como sublinhado na apresentação feita por Carina Gaspar, do Camões I. P., uma sala cheia num sábado de manhã, para ouvir falar de História da Língua Portuguesa, só por si é facto digno de menção. Houve um público atento, constituído principalmente por professores e alunos de Língua Portuguesa, mas não só. Durante cerca de uma hora, Francisco Miguel Valada contou a história de uma língua que, apesar das más-línguas, não nasceu nem com a Notícia de Torto (primeiro documento conhecido escrito em português) nem (muito menos) com o testamento de 1214 de D. Afonso II, nem sequer a língua portuguesa brotou directamente do latim.

Valada discorreu sobre uma língua nascida de substratos (elementos das línguas existentes à chegada dos romanos), do latim vulgar (a língua levada pelos romanos que não era o latim escrito por Cícero, mas o latim falado pelo povo iletrado), dos superstratos (elementos das línguas dos povos germânicos que substituíram Roma como poder instituído na Península Ibérica) e do adstrato árabe, que deram origem ao romance galego-português. Momento crítico, no qual Valada se demorou intencionalmente, por ser o período mais importante: 1400 a 1450, ou seja, o momento do português médio, em que a língua está pronta para a expansão. Evidentemente, falou-se da Ínclita Geração - os filhos de D. João I - e das Descobertas (história externa). No entanto, o essencial foi dedicado a pormenores sobre as mudanças linguísticas (fonológicas, lexicais, morfo-sintácticas) ocorridas na língua portuguesa (história interna) durante os diversos períodos. Falou-se da língua de Camões e das diferenças entre a língua que Camões falava e aquela que nós falamos.

Contada a história da língua, naturalmente, tendo em conta o currículo do palestrante, ninguém ficou surpreendido ao ouvir Francisco Miguel Valada referir-se (muito subtilmente) em termos pouco simpáticos ao Acordo Ortográfico de 1990. Houve ainda tempo para reflexões acerca do prestígio enquanto elemento (passivo) que leva a mudanças linguísticas (como seguir os grandes escritores quando estes adoptam formas diferentes das convencionais/mais populares) e enquanto elemento (activo), através do qual o poder político promove mudanças linguísticas (com algum êxito, como a presidenta em vez de a presidente e com enorme fracasso, como a chancelerina em vez de a chanceler).

Resumindo e concluindo: como disse uma professora no final da sessão, queremos mais. O vídeo que se segue contém uma pequena selecção de momentos do seminário/aula. Quem quiser mais, tem bom remédio: apareça na próxima sessão, em data e local a indicar. Será “uma versão revista e melhorada” deste primeiro encontro, confidenciou-nos Francisco Miguel Valada, enquanto apagava o quadro, acrescentando “e haverá trabalhos de casa”. Aguardemos, pois, pelos próximos capítulos.

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