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ALEGORIA DA MULHER E DA VIDA

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Ela estava no escuro total.
Não sabia quem era. Escutava vozes ao longe mas não entendia o que diziam.

Aos poucos percebeu. Algumas diziam “tudo o que ela estava a fazer mal”. Mas raras diziam “que tudo passa”, raras falavam da perenidade dos momentos, mesmo os difíceis. Raras vozes diziam, “que tudo é uma lição e tudo se aprende”.

Olhou para cima, era claro e tinha uma beleza longínqua. Como gostaria de ali estar...Parecia quente e irradiava uma luz estranha.

Encostou-se, suspirou e sentiu frio. Era uma vítima das circunstâncias e não sabia o que fazer.

Para se aquecer, juntou as mãos e esfregou-as uma na outra durante algum tempo. Percebeu que se sentia um pouco melhor com o calor.

Nasceu então um desejo. Desejou alcançar a luz e animada, sentiu em si como seria estar ali.

Saiu do canto e no escuro, apalpou com os dedos a parede que a rodeava. Estava coberta de musgo macio, um musgo das suas intenções frustradas. Encontrou uma saliência e pensou que poderia colocar o seu pé e com cautela, subir.

Sentiu-se grata. Subiu outra vez e equilibrou-se - a sensação agora era bem melhor.

Encontrou pedras mais claras nessa subida. As pedras estavam por todo o lado e com vontade de criar, usou-as e transformou-as em esculturas, belas e redondas, compassivas e maternais.

Agora os seus sentidos estavam mais vivos e parecia saber as coisas, antes de as saber e sem saber como as sabia. Sentiu com as mãos o seu cabelo, era bem mais macio do que se lembrava e sentiu os seus lábios, grávidos de palavras de amor e de paz.

Outro degrau...pensou ficar já por ali, nunca havia chegado tão longe, afinal já era melhor que antes.
Sentiu o chamamento da luz, desejou-a tanto mas sem qualquer esforço. Agarrou uma grande pedra e feriu os dedos...num movimento instintivo, logrou subir para cima dela.

Se quisesse ainda podia ouvir as vozes, lá no fundo mas já não lhe interessava o que diziam.
O ar aqui era tão leve...E podia escutar o canto dos pássaros. À noite, olhava as estrelas e recordava as canções e as histórias antigas, que havia escutado quando era menina, junto ao fogo que parecia sagrado.

Pensou que as estrelas também eram luz, então nasceu nela um novo desejo. Desejou ser um pássaro que voasse até às estrelas, para depois com jeitinho, guardá-las num balão de papel. O balão poderia iluminar a noite e dar-lhe mais calor quando ela sentisse frio. Ela tinha agora a sua luz, as suas asas e quando olhou para baixo, o escuro total continuava lá, só fazia com que a luz brilhasse ainda mais.

O escuro era agora apenas uma lembrança, uma recordação vaga do contraste do que ela sempre quis ser e então decidiu...Para o escuro total, jamais voltaria.

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Ana Cristina Delgado
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