O escritor cabo-verdiano, Germano Almeida venceu o Prémio Camões 2018. O anúncio foi feito, hoje em Lisboa, pelo Ministro da Cultura português, Luís Filipe Castro Mendes.

Em declarações a RCV, Germano Almeida mostrou-se muito feliz e surpreendido pela atribuição do prémio Camões a Cabo Verde, pela segunda vez, em tão pouco tempo“ a gente espera sempre, e tem a ideia de um dia ganhar um prémio, eventualmente, agora não contava na medida em que não acreditava que dessem a Cabo Verde um prémio tão rapidamente, a final, o prémio Camões dado ao Arménio foi a poucos anos. Admitia que mais alguns anos acabaria por acontecer para Cabo Verde mas nesse sentido foi uma surpresa” o escritor adianta, no entanto, esperar que o país saiba aproveitar estas distinções para projetar, cada vez mais, o nome de Cabo Verde lá fora “nós somos um país pequeno que precisa cada vez mais de dar a conhecer, costumo dizer: o mundo não precisa de nós, nós precisamos do mundo. Então nós é que temos de ir ao mundo”.

Reações a atribuição do prémio a Germano Almeida

Para o presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca a atribuição do Prémio Camões a Germano Almeida é uma ótima notícia para o escritor e para o país. “É uma ótima notícia para ele em primeiro lugar, para a literatura cabo-verdiana, para os escritores cabo-verdianos e para Cabo Verde. É um importante galardão literário, seguramente o mais conhecido de língua portuguesa, e termos um prémio Camões nove anos é bom, é muito bom” Jorge Carlos Fonseca disse que o prémio é o reconhecimento daquilo que Cabo Verde tem feito em termos de literatura. “Isso vai levar a que a nossa literatura seja mais conhecida e pode ajudar a potenciar o conhecimento de Germano Almeida, da nossa prosa de ficção, da nossa literatura e dos nossos escritores no geral. Não podia haver melhor notícia para o país neste momento”, sublinhou.

Para o presidente da Academia de Letras de Cabo Verde, David Hopffer Almada, é um enorme orgulho e uma grande satisfação a atribuição do prémio a mais um autor cabo-verdiano. “É imenso orgulho que devemos sentir, sendo um país da nossa dimensão a ganhar dois prémios desse nível, num espaço de tempo relativamente curto. É uma satisfação enorme Arménio Vieira e agora Germano Almeida. Dois grandes autores de grande nível respeitados e reconhecidos por todo o lado. Por tanto, para nós é uma grande satisfação receber esta notícia”, disse David Hopffer Almada.

O Ministro da Cultura de Cabo Verde acredita que a atribuição do prémio Camões a Germano Almeida é a "consagração de um monstro" da literatura cabo-verdiana. “É uma nova etapa na carreira de Germano Almeida, da consagração de um monstro da nossa literatura, que de certa forma inaugura uma nova forma de contar, de representar, Cabo Verde", Abraão Vicente aos jornalistas em Lisboa.

O primeiro-ministro Português, António Costa numa mensagem no Twitter felicitou Germano Almeida pela "merecida atribuição do Prémio Camões 2018" e recordou que o Prémio Camões é "a mais importante consagração literária dessa língua universal que é o português" escreve António Costa na rede social.
O Prémio Camões é considerado o mais importante prémio literário da língua portuguesa e foi instituído em 1988.

Germano Almeida é o segundo autor cabo-verdiano a ser distinguido com o prémio Camões depois de o galardão ter sido atribuído, em 2019, ao poeta Arménio Vieira.
O premiado é natural da ilha de Boa Vista. Formou em Direito pela Universidade de Lisboa. Vive em Mindelo, São Vicente e é autor de obras como “A ilha fantástica”, “Os dois irmãos”, “O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, “A morte do ouvidor” e “De Monte Cara vê-se o mundo”.
O mais recente romance de Germano Almeida chama-se “O fiel defunto” e será lançado ainda este mês no Mindelo, São Vicente.

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Maria do Carmo
Jornalista / colaboradora com carteira nº 014/2016 e carteira da FIJ - nº CV368
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