João Pina, mentor de um grande evento de Natal em Portugal

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João Pina é um lusodescendente de 51 anos, avô de uma menina de 3 anos e pai de três filhos. Está casado em segundas núpcias com Rosa Sanchez, cidadã espanhola que o apoia, que o incentiva a repartir o que tem e a ajudar os que mais precisam.

João Pina nasceu em Meios, freguesia do Concelho da Guarda, outrora conhecida por causa das muitas fábricas do setor têxtil. Em busca de uma vida melhor, João emigrou, com pouco mais de 18 anos, para França (arredores de Paris).

No presente, João é administrador de um grupo de empresas dos setores da construção civil e das limpezas. Nunca esqueceu as origens e visita amiúde a sua terra natal. É conhecido por ajudar os que precisam e tem apoiado diversas causas. João é conhecido como “homem de causas sociais” e como ”homem que espalha sorrisos”.

Homem de fé inabalável em Nossa Senhora de Fátima, João tem, no exterior da sua casa em França, um pequeno santuário com a imagem de Nossa Senhora —“a minha força antes de sair e no regresso a casa”, diz o empresário.

A cerca de três meses do Natal, entrevistámos este empresário, que, com a colaboração de muitos amigos e conhecidos de vários setores e de vários países, promove um grande evento de Natal (que terá lugar em 20 de dezembro, na Guarda).

Luso.eu - Porquê ajudar os mais carenciados e porquê a Guarda?

JP - Não esqueço a região onde nasci e vivi parte da minha adolescência. Emigrei à procura de uma vida melhor. Tinha um filho pequeno, que deixei temporariamente com os meus pais e passei a fronteira “a salto”, com medo, mas acima de tudo com determinação para alcançar o meu “sonho”: mais trabalho e uma vida melhor para mim e para a minha família. Estou em França há três décadas, tenho trabalhado muito e consegui aquilo que ambicionava quando vim para França.

A região onde nasci está a ficar desertificada, muitos idosos moram sozinhos no “cume das serras” e os que estão em centros de dia regressam a casa no final da jornada e ficam sós e em silêncio durante a noite. No que respeita às crianças institucionalizadas, gosto de as ver sorrir; como disse o poeta, “as crianças são o melhor do mundo”.

Quanto à vontade de ajudar os outros, é algo que não lhe sei explicar. A minha vida em França pauta-se por muito trabalho. Acompanho os meus funcionários, mas, acima de tudo, quero estar ao lado deles, quero ser o líder, o amigo e não o patrão.  Em agosto — mês dos cheiros, dos bailes de verão —, eles vão passar férias em Portugal, eu fico a trabalhar. Grande parte da minha “família” de funcionários é da Guarda e dos seus arredores. 

O prazer de partilhar o que temos com os que mais necessitam e de ver sorrisos e olhos que brilham não tem preço. Não esquecerei o Natal de 2018: oferecemos centenas de brinquedos, roupas, alimentos e cabazes de Natal com os doces típicos da quadra. Mobilizei cidadãos, empresários e políticos, convicto de que só com a colaboração de muita gente conseguiria chegar longe. O que aconteceu no ano passado foi uma corrente solidária com elos em várias partes: por exemplo, Bélgica, França, Suíça, Portugal, Brasil, Estados Unidos da América e Canadá. De resto, já em 2017 tinha oferecido uma ceia de Natal a quatrocentas pessoas.

Tenho feito o que posso para ajudar. Sempre feliz, embora cansado. Ainda esta semana, no dia 5 de setembro, dei oito prémios pecuniários (de mérito escolar) a reclusos do Estabelecimento Prisional da Guarda (EPG). E também dinheiro destinado à aquisição de material escolar para reclusos do mesmo estabelecimento. Fi‑lo pelo segundo ano consecutivo e com o coração aberto. É um tipo de ajuda que considero importante: contribuir para que os presos estudem, ganhem competências e se integrem mais facilmente na sociedade.

No momento da entrega dos prémios, três dos contemplados já estavam livres, o que me encheu de satisfação. O grupo musical “meia dúzia”, do EPG, brindou os presentes com música. Na entrega dos prémios, estiveram presentes o diretor do EPG, a diretora do agrupamento de escolas Afonso de Albuquerque e, a representar-me, um amigo que muito estimo e me tem acompanhado na Guarda, o Pedro Nobre. A cerimónia decorreu no EPG, no âmbito de um acordo de parceria com o ensino escolar, que assinei com a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

Luso.eu - Em 2019, que fez ou vai fazer em Portugal?

JP - Continuei a parceria com a Casa do Benfica da Guarda. Nela foi descerrado o meu busto, que lá se pode ver. Dei a pessoas de quatro instituições da Guarda e da sua região a oportunidade de assistir a um jogo do Benfica no Estádio da Luz. Foi uma tarde diferente para crianças, adolescentes e, sobretudo, para dois idosos do Centro de Dia e Lar de Santa Ana de Azinha.

O Centro de Dia e Lar de Santa Ana de Azinha, um lar de afetos, foi e será um parceiro especial, no Natal do ano passado e no evento previsto para 20 de dezembro de 2019. A sua presidente, Rosária Santos, trata de maneira ímpar os idosos da instituição (os seus “meninos“). Tem sido uma parceria fundamental. No ano passado, assinámos um acordo de parceria, sinto-me bem lá. A meu convite, atuaram na instituição os cantores Luís Filipe Reis, Johnny Gama e a cantora luso-descendente Elena Correia, que, em 2019, será a madrinha desta imensa “corrente solidária” de Natal. A minha mãe e a minha filha adolescente já estiveram comigo na instituição.

Em 2019, fizemos muito, mas quero falar sobretudo do Natal que se aproxima.

Natal solidário em 2019: o distrito da Guarda e a cidade de Mangualde ligados por um Natal para todos

Como o sonho comanda a vida e a persistência o leva à prática, em 2019 pretendo chegar mais longe, muito mais longe. Contactámos artistas, cantores e amigos que apoiarão a campanha de Natal de 2019.

Num local da Guarda, reunirei os mais necessitados: idosos, crianças institucionalizadas e deficientes dos catorze concelhos do distrito da Guarda e da cidade de Mangualde (mais ou menos setenta pessoas de cada concelho). Naquela que será a maior ceia de Natal solidária da região da Guarda (e, porventura, de Portugal), essas pessoas sentirão afeto, partilha e alegria. Estarão à mesa cerca de mil e duzentas pessoas. A ceia terá lugar em 20 de dezembro, data muito especial para mim: no dia do meu aniversário, terei muitos amigos à minha volta e juntos celebraremos o Natal.

Além do jantar e da música, ofereceremos, como no ano passado, cabazes de Natal que incluem os produtos típicos da quadra. Creio que entregaremos cerca de trezentos cabazes.

Em 2018, no decorrer de uma visita a Portugal, a CERCIG-Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da Guarda abordou-me no sentido de financiar os custos do transporte até Paris de um grupo de dezasseis pessoas que se deslocou à capital francesa em visita de lazer. Uma experiência única para estes jovens. Assinei igualmente um protocolo com uma associação do mesmo tipo de Carrières-sur-Seine, a Esat la Roseraie, e, em 2019, nove utentes desta associação deslocar-se-ão a Portugal para participar na ceia de Natal. Eles ficarão alojados nas instalações da CERCIG e visitarão os locais mais emblemáticos da região da Guarda.

Visto que me é concedida esta oportunidade, observo que a união faz a força e sei que juntos seremos mais fortes e chegaremos mais longe. Contribuam com o que puderem (alimentos, brinquedos, roupa para crianças e/ou dinheiro) para esta noite de luz, para esta ceia cujos custos ascendem a várias centenas de euros.

Estou grato pela ajuda e pela colaboração que tenho recebido.  Queremos fazer a maior ceia de Natal solidária em Portugal. Contribuam!

 “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”, uma frase inspiradora de Madre Teresa de Calcutá.

 


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